quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Semiárido


Segundo dados oficiais do Ministério da Integração, o Semiárido brasileiro se estende por 975 mil quilômetros quadrados e compreende 1.133 municípios de 9 estados do Brasil: Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Nessa região, vivem 22 milhões de pessoas. A Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) atua em todos esses estados e também no Maranhão.

A vegetação predominante é a caatinga — único bioma exclusivamente brasileiro —, rica em espécies vegetais que não existem em nenhum outro lugar do planeta. É o Semiárido mais populoso do planeta e também o mais chuvoso.
Curiosamente, é uma região de déficit hídrico. Isso quer dizer que a quantidade de chuva é menor do que a água que evapora, numa proporção de 3 para 1. Ou seja, a quantidade de água que evapora é 3 vezes maior do que a de chuva que cai. Além disso, as chuvas são irregulares e, algumas vezes, há longos períodos de estiagem. Durantes essas épocas, a média pluviométrica pode chegar perto dos 200 milímetros anuais. Daí a importância de guardar a chuva adequadamente. No Semiárido brasileiro, também existem diferenças marcantes do ponto de vista da precipitação anual de uma região para outra. Em alguns locais, o índice das chuvas pode chegar a 800 milímetros por ano. 

Fórum de Convivência com o Semiárido planeja ações para 2011

Helen Borborema - Comunicadora popular da ASA
Porteirinha - MG
18/01/2011
Nos dias 19 e 20 de janeiro, no município de Jordânia - Baixo Jequitinhonha, o Fórum de Convivência com o Semiárido do Vale do Jequitinhonha se reunirá para o primeiro encontro em 2011. O objetivo principal é fazer um planejamento estratégico deste espaço da sociedade civil na região de acordo com as demandas e desafios propostos pelos movimentos sociais.
Participam do Fórum cerca de 40 entidades sociais e organizações populares dos mais diversos segmentos como sindicatos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, associações comunitárias, Cáritas, entidades ligadas ao Fundo Cristão para a Criança, Visão Mundial, ONGs, entre outras. Dentro da articulação, os participantes se dividem em diversas frentes de trabalho que se organizam em comissões como a de mulheres, desertificação, políticas públicas, comunicação popular, educação do campo entre outras.
O Fórum de Convivência com o Semiárido do Vale do Jequitinhonha é um espaço de articulação da sociedade civil que tem como um dos principais objetivos promover o debate sobre a pauta nacional dos principais movimentos sociais do Brasil, de projetos e programas de desenvolvimento, apontando alternativas sustentáveis para a região.
Junto ao Fórum de Desenvolvimento Sustentável do Norte de Minas, o Fórum do Vale compõe a Articulação no Semiárido Mineiro - ASA Minas.

Com informações de  Viviane Ribeiro - CAV Turmalina/MG

AP1MC seleciona técnicos para os programas P1MC e P1+2

24/01/2011
A Associação Programa Um Milhão de Cisternas (AP1MC) lança edital para contratação de profissionais para compor a equipe técnica do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2).  A seleção acontecerá em duas etapas: entrega de currículo e Carta de Intenções e entrevista. 

Confira o edital no site: www.asabrasil.org.br no menu Notícias


Família que conquistou cisterna de produção já fornece alimentos para o PAA
Santina André - Comunicadora Popular
Brumado - BA
11/01/2011
Dona Conceição e Seu Adonias vivem na comunidade de Riachão, localizada no município de Malhada de Pedras, na Bahia. A família sempre plantou de tudo, mas nos últimos meses a produção ganhou um reforço, graças à cisterna de produção que existe na propriedade.

Tudo começou com a primeira cisterna, a de consumo humano, construída pela Congregação das Irmãs Beneditinas que vivem no município de Malhada de Pedras, através do Fundo Rotativo Solidário. Depois, seu Adonias que além de agricultor é também construtor de cisternas, construiu mais uma com recursos acessados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), aumentando assim a captação de água de chuva na propriedade.

Em março de 2010 mais uma conquista: a família recebeu a segunda cisterna construída pela Associação Divina Providência em convênio com o Governo do Estado da Bahia, através da SEDES (Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza), no qual o município foi contemplado com 20 cisternas de produção.

Com duas cisternas com capacidade de acumular 16 mil litros de água cada e uma de 50 mil litros começa a garantia da segurança hídrica e alimentar na propriedade. O casal, que antes já possuía iniciativa para produzir, agora aumentou e diversificou a produção, melhorando a qualidade de vida de toda sua família e de outras, como eles nos contam orgulhosos: “Eu não fui mais nunca em malhada comprar uma verdura na feira, compro outras coisas, mas verdura nunca mais comprei” – diz Dona Conceição. “Nós temos para vender, para o uso da casa e para compartilhar com outras famílias que não tem, graças a Deus!” – complementa seu Adonias.

O trabalho de cuidar da horta envolve toda a família e tudo é produzido de forma agroecológica, ou seja, sem química, com adubos orgânicos e utilizando a urina de vaca como defensivo natural.

Além de garantir alimentação saudável para o próprio consumo, a família possibilita ainda que outras famílias também tenham alimentos e aumenta a sua renda, pois seu Adonias e Dona Conceição já estão fornecendo parte do que é produzido em sua horta para o Programa de Aquisição de Alimentos, o PAA. Semanalmente, às terças-feiras, o casal se dirige à secretaria de Ação Social do município de Malhada de Pedras para entregar a produção.
Divina Providência Inicia Ciclo de Capacitação de Famílias

Santina André – Comunicadora Popular
Ass. Divina Providência
12/01/2011

Nos dias 11 e 12 de Janeiro de 2011, a Divina Providência iniciou o ciclo de Capacitações de Famílias em Gerenciamento de Recursos Hídricos (GRH) referentes ao Convênio 065/2010.
Em Lagoa da Jurema, no município de Lagoa Real, as famílias participaram desta capacitação e tiveram a orientação dos monitores Maria Lúcia (do município de Licinio de Almeida) e Fábio (do município de Tremedal) que possibilitaram aos participantes conhecerem mais sobre o Semiárido e formas de convivência, sobre o trabalho realizado pela ASA e pela Divina Providência, cuidados com as cisternas e como gerenciar a água da cisterna de Consumo Humano e as demais aguadas existentes na comunidade. Como recursos didáticos, os monitores utilizaram banners informativos, Vídeos, e desenhos construídos pelos participantes.
Em Lagoa da Jurema serão construídas 88 cisternas pela Associação Divina Providência em Convênio com a Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (SEDES).
Outras capacitações aconteceram simultaneamente nas comunidades de Canabrava (Lagoa Real), Macacos e Boiada (Rio do Antônio).
As capacitações  terão continuidade em Lagoa da Jurema e Canabrava em Lagoa Real nos dias 13 e 14 para outras 59 famílias, ao mesmo tempo em que serão capacitadas as famílias das comunidades de Junco dos Caires e Canjica em Rio do Antônio.
Nos Próximos dias ocorrerão capacitações também no município de Cordeiros, encerrando assim a primeira etapa de capacitações em gerenciamento de água para consumo humano.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Cisterna deve ser um bem comum!

A cada cisterna que é construida,mais familias terão água de qualidade.
Ter cisterna é direito que deve ser garantido às familias deste rico semiárido.
Vamos juntos construindo cidadania!!!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Gleiceani Nogueira e Viviane Brochardt - ASACom
22/12/2010
Em entrevista cedida à Assessoria de Comunciação da ASA (ASACom), a coordenadora da ASA, Valquíria Lima, faz uma avaliação dos programas da Articulação e fala das perspectivas de continuidade do trabalho que vem beneficiando milhares de famílias do Semiárido.
Avanços
2010 foi um ano importante para o debate que a gente tem feito de acesso à água no Semiárido. O P1MC, além de pautar a água para consumo humano com as cisternas domiciliares, trouxe o debate da água para as escolas. Entendemos que ter uma água de boa qualidade nas escolas rurais é fundamental para a melhoria de vida das crianças e, consequentemente, para a saúde, como também de uma melhor alimentação na escola, melhor capacidade de aprendizado. Então, este ano foi o ano em que a gente ampliou o programa, que sai do universo da família e ganha a comunidade escolar, e isso é de fundamental importância na nossa região.
Em relação ao P1+2, a gente cada vez tem avançado mais no debate das tecnologias, buscando melhorá-las de acordo com a realidade de cada território da região semiárida. Acho que todo debate sobre o patrimônio genético também foi um debate importante para as famílias, porque além de água para produzir alimentos, nós temos o grande desafio de discutir a agroecologia no Semiárido, o resgate do patrimônio genético, das sementes. Então, esse ano ficou marcado pelo avanço nos programas.
Desafios
Trabalhar o projeto Cisterna nas Escolas observando as políticas públicas, o movimento da comunidade escolar e buscando o envolvimento das crianças, é um desafio. Percebemos isso no esforço de várias equipes das nossas organizações para debater com os municípios a importância de eles apoiarem todo o trabalho feito apara implementar as cisternas nas escolas. Todo esse esforço de envolvimento, de construção de parcerias para essa ação é muito positivo. A gente tentar dialogar com o poder público local sobre a importância do seu envolvimento para garantir água de qualidade nas escolas rurais. Isso é extremamente importante, mas ao mesmo tempo bastante desafiador.
Outro aspecto sobre o qual precisamos refletir é em relação ao patrimônio genético, de resgate das sementes e também em relação aos animais mais adaptados às condições climáticas locais, como esses elementos são incorporados pelo nosso programa, o P1+2. A gente vem discutindo como comprar as sementes dos próprios agricultores familiares. Eu acho que esse desafio é grande.
Além disso, estamos chegando ao final do governo Lula e isso tem implicações para os dois programas (P1MC e P1+2). Foram oito anos. Esse governo tem apoiado a execução dos programas da ASA, mas eles ainda não se tornaram uma política pública efetiva. Não podemos continuar, a cada ano, tendo que imprimir um enorme esforço para buscar recursos junto ao governo que garantam o desenvolvimento dos programas para o ano seguinte. Esse é um dos nossos principais desafios. Nós precisamos transformar o programa de cisternas domiciliares, cisternas nas escolas e água da produção de alimentos em políticas públicas reconhecidas pelo Estado e com recursos garantidos.
Perspectivas
Primeiro, a gente fecha o ano de 2010 com o novo termo de parceria entre a ASA e o MDS, para o desenvolvimento do P1+2, assinado e publicado no Diário Oficial da União. Agora, nós estamos em vias de assinar mais um termo, também com o MDS, para a execução do P1MC. Isso garante o início do ano sem descontinuidade dos dois programas. É muito positivo porque sempre que há uma descontinuidade, acontece um desmonte das equipes, as pessoas vão para outros espaços e, até que se monte essa estrutura novamente, a gente gasta tempo demais. Então, começarmos 2011 sem a descontinuidade dos programas é uma perspectiva bastante positiva.
No próximo ano teremos um novo cenário político, com um novo governo e os ministérios serão compostos por novas pessoas. Com isso, teremos todo um trabalho de apresentar a ASA, os programas, apresentar as nossas conquistas, aonde a gente chegou. É um ano também de buscarmos forças com outros movimentos e articulações para debater o marco legal, para debater a nossa luta, para garantir que os programas se tornem uma política pública.
Aprendizados
Cada termo de parceria, cada período de execução do P1MC e do P1+2, é um novo aprendizado para a ASA. A cada ano a gente vem buscando aprimorar as tecnologias, buscando fazer uma nova e melhor formação com as famílias, buscando avançar na qualificação da nossa formação de equipes, buscando, principalmente, envolver o poder público, seja ele municipal, estadual ou federal, para que reconheça o P1MC e o P1+2 como importantes programas de acesso à água para as famílias do Semiárido.
Algumas ASAs estaduais têm avançado muito na relação com os governos estaduais, inclusive fazendo novos convênios, novas parcerias, ampliando a política de acesso à água, fazendo com que cada Estado reconheça que esse é um caminho de garantir água para as famílias, água para produção, águas nas escolas, no Semiárido. A gente tem ASAs como Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Ceará que avançaram bastante na relação com os governos estaduais. Em outros estados já percebemos alguns iniciativas, como Em Alagoas e Rio Grande do Norte.
Avalio que todos esses anos de parceria nossa com o governo federal, contribuíram muito para que os governos locais reconhecessem o papel das ASAs estaduais no campo das políticas públicas voltadas para o Semiárido. Acho que a gente tem aprendido cada vez mais a dialogar e fazer o debate da concepção da política pública, que ela seja de fato efetiva, que garanta de fato melhoria da qualidade de vida das pessoas e que reconheça o que a sociedade civil vem fazendo. Esse é um grande aprendizado para nós da ASA.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Água como mercadoria - Frei Beto

O capitalismo mercantiliza os bens da natureza, os frutos do trabalho humano, todos os aspectos de nossa vida. Aprendemos na escola: 71% de nosso corpo são água, a mesma proporção existente em nosso planeta.
Bebemos litros de água no decorrer do dia. Do velho e bom filtro? Não. Em geral, de garrafas pet vendidas em supermercados. Quem garante que a água engarrafada é mais potável que a filtrada em casa? A propaganda; ela faz nossa cabeça e direciona nossos hábitos.
De olho no faturamento, empresas transnacionais procuram incutir na opinião pública a ideia da água como mercadoria de grande valor econômico, capaz de tornar-se uma fonte de renda para um país como o Brasil. Retira-se da água sua dimensão de direito humano, seu caráter vital, sua dimensão sagrada. Quem se opõe a esta ideologia é rotulado como "contrário ao progresso". Porém, é na defesa da água como direito e bem comum que reside a possibilidade de salvarmos o planeta Terra - "Planeta-Água" - da desolação, e assegurarmos a vida das gerações futuras.
O raciocínio da mercantilizaçã o da água é simples: tendo que pagar, a sua utilização será mais racional e cuidadosa. Ora, isso não implica incluir a água na categoria de mercadoria regida pelas leis do mercado.
Este argumento tem sua parte de verdade - cuida-se melhor daquilo que é mais caro. As consequências, porém, podem ser graves se a água for regida pela lei da oferta e da procura. A cobrança pelo uso da água pode ser um mecanismo de gerenciamento desde que se estabeleçam preços diferenciados conforme a concessão de uso. Uma fábrica de cerveja retira do poço artesiano toda água que necessita, sem pagar nada por ela. Depois descarrega parte dessa água, agora poluída por detergentes e dejetos, no rio mais próximo. O lucro com a venda da cerveja é todo dela; a perda no lençol subterrâneo e a poluição do rio são da comunidade local.
Uma boa gestão cobraria preço baixo pela água usada como insumo e alto sobre o esgoto industrial, de modo a obrigar a indústria a filtrar dejetos antes de lançá-los de volta ao rio. Também é preciso estabelecer preços diferenciados conforme o uso da água (consumo humano, esgoto, energia elétrica, produção industrial, agricultura irrigada, lazer etc).
Nas zonas urbanas já pagamos pelos serviços de captação, tratamento e distribuição da água, não pela água em si. A novidade é que, além dos serviços, deveremos pagar também pelo metro cúbico de água utilizada. Se este preço adicional vier a excluir alguém do acesso à água, tal medida será eticamente inaceitável.
O princípio que obriga a quem usa, pagar, não pode ser aceito ao contrário: "quem não paga, não usa." Não sendo a água uma mercadoria, mas bem de domínio público, o princípio só se aplica como norma reguladora de uso, seja quantitativa (quem usa mais água, paga mais), seja qualitativamente (quem usa para fins lucrativos paga mais do que quem usa para consumo pessoal). Se assim não for, a água deixará de ser direito de todos os seres vivos, criando-se um impasse ético e uma tragédia: a dos excluídos da água.
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* Escritor e assessor de movimentos sociais
[Autor, em parceria com Marcelo Barros, de "O amor fecunda o Universo - ecologia e espiritualidade" (Agir), entre outros livros. www.freibetto. org - twitter:@freibetto
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