sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Água para cozinhar e beber, para produzir e para educar

Lívia Bacelete - Comunicadora popular da ASA
Januária - MG
15/12/2010

A ASA Minas lançou na última semana o Projeto Cisterna nas Escolas e a série de desenhos animados “Água, Vida e Alegria no Semiárido”. O lançamento aconteceu no dia 7 de dezembro, na Faculdade de Educação da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), em Belo Horizonte. O evento contou com a presença de agricultores e agricultoras do semiárido mineiro, técnicos de ONG’s, agentes de pastorais, professores e alunos da universidade, representante da Secretaria Estadual de Educação, do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e do Núcleo de Estudos de Educação do Campo da UFMG.

Há 10 anos, a ASA tem debatido a convivência com o semiárido através de seus programas. Valquíria Lima, coordenadora executiva da ASA pelo estado de Minas Gerais, conta que a Articulação tem chamado de água de beber, a captação de água de chuva para o consumo humano, e água de produção, a captação de água de chuva para o desenvolvimento da produção das famílias no semiárido. “Com o Projeto Cisterna nas Escolas, estamos implementando uma água para estudar, para que as crianças possam consumir, ter uma boa alimentação, melhor qualidade de vida e, conseqüentemente, melhor aprendizagem”, explica ela. 

Em Minas Gerais, o Projeto Cisterna nas Escolas prevê a construção de 107 cisternas de 52 mil litros de captação de água de chuva em escolas municipais da zona rural do Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha. A construção é feita em mutirões e envolve também momentos de formação, com a discussão da educação contextualizada.

Para Valdecir Viana, que faz parte da coordenação executiva da ASA Minas, a Articulação realiza mais do que a obra física da cisterna em si. “Nos desafiamos a fazer um debate mais aprofundado sobre a educação do campo”, explica. Valdecir fala que o debate da educação do campo, na linha dos movimentos sociais, é diferente da educação colocada na sociedade. “Nossa idéia é aprofundar esse debate e trazer a viabilidade da vivência no campo, que é um espaço com uma grande possibilidade de se viver e viver bem”, conclui.

Para Antônio, mais conhecido como Chicão, diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) e agricultor da Comunidade Quilombola de Poções, no município de Francisco Sá, o Programa é uma graça que as comunidades estão recebendo. Ele conta que no seu município nem todas as escolas possuem água. “Algumas têm, mas a água é calcária e não serve pra beber. Água doce são poucas que têm”, afirma. 

Marielene Souza, a Leninha da coordenação executiva da ASA Minas, completa dizendo que o mais grave é que as escolas que enfrentam a dificuldade da falta de água, não conseguem trazer para o debate pedagógico questões como o ecossistema, a convivência e o tipo de região que a instituição está inserida. “Mais do que entrar no debate de água na escola com esta tecnologia, é aprofundar e inovar com o debate da educação”, ressalta.

O evento também lançou a série de desenhos animados que integra os produtos pedagógicos do Projeto Cisterna nas Escolas. Leninha afirma que esta é uma “possibilidade de material didático que aproxima de nossa realidade, para pensar a escola para além dos muros”. Os desenhos serão distribuídos a todas as escolas que participam do projeto. A série tem oito episódios de cinco minutos cada e está sendo exibida no Canal Futura, após o Sítio do Pica Pau Amarelo. Toda a série foi produzida com crianças da comunidade de Ponto Novo, município de Riachão do Jacuípe, na Bahia.

Um ano de grandes conquistas do POVO


Neste mês de dezembro queremos partilhar as boas novas que chegam neste tempo natalino advindas de um trabalho realizado ao longo de cinco anos em que a Divina Providência se tornou Unidade Gestora dos Programas da ASA. Nesta edição, trazemos as experiências exitosas, fruto das sementes plantadas na parceria com agricultores e agricultoras, que tornam verdadeira a premissa da Convivência com o Semiárido , colocando as mão na terra, e de forma cuidadosa e respeitosa a fazem produzir com abundância; queremos ainda partilhar a alegria da conquista dos direitos, que pouco a pouco chegam quando o povo do Semiárido é visto como cidadãos e não como esmoles.
Que as experiências aqui publicadas possam servir como fonte de inspiração e que possam ser reproduzidas em cada canto do Semiárido, e que cada leitor possa ser anunciador dessa boa noticia. Desejamos a todos um Feliz e Santo Natal e Próspero Ano Novo.

Santina de Jesus André - Comunicadora Popular
Projeto Cisternas - ASA / SEDES

A ÁGUA É UM BEM COMUM

 
Para discutir o problema da água, vamos imaginar uma situação comum de muitas comunidades, as pessoas da comunidade se reuniram. Estavam presentes dona Maria, dona Glória, seu João, a professora Rosa, entre muitas outras pessoas.

No inicio dona Maria deu as boas vindas e disse que tinha um assunto muito importante a tratar, pensar as maneiras de acumular e guardar água para os períodos de seca.

Seu João disse:  - Antes de ver as maneiras de guardar a água, é preciso ver quantos habitantes tem a comunidade, e a quantidade de animais, para calcular a quantidade de água necessária e providenciar as aguadas.

A professora Rosa concordou com seu João e acrescentou:  - Podemos fazer um levantamento, uma pesquisa, para saber a quantidade de animais e pessoas que existe na comunidade.

Todos concordaram, mas dona Glória interveio:
- Minha gente, só o levantamento não vai ser suficiente, temos de ver várias fontes de aguadas.

Dona Maria Perguntou:
- Como assim:
Dona Gloria explicou:
- A água de beber deve ser separada daquela de lavar roupa, tomar banho e para dar aos animais.

A professora exclamou:  - É verdade dona Gloria, aprendemos que tem 4 linhas de luta pela água!

Seu João perguntou: - Como é isso:

A professora Rosa  explicou:  - A primeira é a água da família, a segunda é a água de produzir, a terceira é a água da comunidade e a quarta é a água de emergência.

Dona Maria sugeriu: - Professora, explique melhor, por favor.

A Professora Rosa explicou: - A água da família deve ser bem tratada, de qualidade, serve para beber, cozinhar e deve ser guardada perto da casa, e pode ser acumulada numa cisterna; A água de produzir é a que vai garantir a qualidade de vida da família, melhorando a sua alimentação através da produção de hortaliças e frutas, que podem ser barragens subterrâneas, cisternas de enxurradas ou calçadão; a da comunidade é para ser usada para tomar banho, lavar roupa e ar de beber aos animais e pode ser um barreiro, açudes ou barragens.

Dona Maria e seu João entenderam bem, mas dona Gloria ponderou:
-Professora, as vezes, mesmo tendo essas aguadas, quando vem uma seca muito longa elas não são suficientes.

A professora continuou:
- A senhora está certa dona Gloria. A senhora lembrou bem. Ainda tem a água de emergência da comunidade, que são os poços tubulares, os poços amazonas, as barragens, justamente para estes anos de seca prolongada. Por isso, é importante que toa a comunidade esteja organizada para definir qual o melhor lugar onde perfurar um poço, fazer uma barragem, para enfrentar a seca com menos dificuldade. Outra coisa importante é cobrar do governo federal, estadual e municipal, investimentos e políticas públicas para a convivência com o semi-árido, ou seja aguadas, cisternas, poços, em vez de carros pipas. Certo minha gente:

Dona Maria disse: Certo professora. Agora entendi que para viver bem no semi-árido é preciso garantir essas 4 linhas de água, senão, não funciona.

Seu João exclamou: - Mas para conseguir isso é preciso que todo mundo entre na luta!
Dona Gloria terminou a reunião dizendo:  - “Garantir água é garantir  vida”.

A professora complementou: - Pois é minha gente, sabiam que tem uma Lei Federal que institui o Programa Permanente de Convivência com o semi-árido: Ela foi criada em 1999, é o Projeto de Lei 1.114;99, para o desenvolvimento de ações destinadas a construção de cisternas, barragens, açudes e poços.

Todos os municípios também devem ter uma legislação municipal própria para financiar programas de aproveitamento de recursos hídricos na área rural. Já existem municípios que por força dessa lei, aplicam de 1 a 5% da receita municipal para construir cisternas, construir barragens de pequeno e médio porte, barreiro, cacimbões, tanques de pedras, perfuração e instalação de poços tubulares.

“Se lutarmos por essas 4 linhas de captação de água, a seca não vai mais assustar os habitantes do semi-árido”.

Sejam bem vindos(as) ao nosso espaço

A partir de hoje, todas as nossas experiências serão passadas por aqui e enviadas a todos(as) que queiram ser multiplicadores desse trabalho.


Atenciosamente,

Mark Luiz e Leozinho