quinta-feira, 3 de novembro de 2011
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Contradições da energia "limpa" em Caetité - Ba
Empresa se apropria de terras em Caetité, derruba cercas e faz demolição de casas de famílias proprietárias e posseiras na comunidade de CaldeirasFonte: http://www.youtube.com/user/gbioterra1
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Campanha permanente contra os agrotóxicos e pela vida será lançada em Juazeiro
Luís Osete - Educomunicador Popular da Bacia do São Francisco
Juazeiro - BA
26/07/2011
Por que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo? Existem alternativas ao modelo agrícola baseado no uso de agrovenenos nas lavouras do Vale do São Francisco? Até quando teremos de engolir, diluídos nos alimentos, 5 litros de veneno por ano? Questionamentos como esses impulsionam mais de 20 entidades locais – movimentos sociais, associações, entidades estudantis e organizações não-governamentais – a lançar a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, na próxima sexta-feira (29), às 9h30, na Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), em Juazeiro.
A iniciativa pretende fortalecer a atuação do Comitê Regional da Campanha, ampliando o debate sobre os impactos dos venenos na saúde dos/as trabalhadores e trabalhadoras, das comunidades rurais e consumidores/as, além de denunciar a falta de fiscalização no uso, consumo e venda de agrotóxicos. “O uso dos venenos nas lavouras aqui no Vale do São Francisco se tornou uma prática comum, mas está ficando insustentável pela resistência das ‘pragas’. Na fruticultura, cada vez mais se aumenta a dosagem dos venenos. E, quanto mais veneno se aplica, mais aparecem doenças e óbitos sem explicação das causas”, afirma Jozelita Tavares, Coordenadora Regional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).
De acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola, mais de um milhão de toneladas (o equivalente a mais de 1 bilhão de litros) de venenos foram jogadas nas lavouras em 2009, consagrando o Brasil com o vergonhoso título de campeão mundial no consumo de agrotóxicos. Essa tendência acompanha o avanço do agronegócio, um modelo de produção agrícola que concentra terra e utiliza grande quantidade de venenos para garantir a produção em escala industrial.
A campanha anuncia a possibilidade de construção de um modelo agrícola diferente, baseado na agricultura camponesa e agroecológica. Segundo Cléber Folgado, coordenador nacional da campanha, “produzir alimentos saudáveis com base em princípios agroecológicos, em pequenas propriedades, com respeito à natureza e aos trabalhadores é a única forma de acabar com a fome e de garantir qualidade de vida para as atuais e futuras gerações, rompendo com o modelo que concentra riquezas, expulsa a população do campo e produz pobreza e envenenamento”.
Além das falas de representantes das entidades locais que compõem o Comitê, o lançamento será mediado pelas intervenções de Cléber Folgado, da secretaria operativa nacional, e Domingos Rocha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas Agrícolas, Agroindustriais e Agropecuárias dos municípios de Juazeiro, Curaçá, Casa Nova, Sobradinho e Sento Sé (SINTAGRO).
Fonte: http://www.asabrasil.org.br/Portal/Informacoes.asp?COD_NOTICIA=6831
Juazeiro - BA
26/07/2011
Por que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo? Existem alternativas ao modelo agrícola baseado no uso de agrovenenos nas lavouras do Vale do São Francisco? Até quando teremos de engolir, diluídos nos alimentos, 5 litros de veneno por ano? Questionamentos como esses impulsionam mais de 20 entidades locais – movimentos sociais, associações, entidades estudantis e organizações não-governamentais – a lançar a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, na próxima sexta-feira (29), às 9h30, na Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), em Juazeiro.
A iniciativa pretende fortalecer a atuação do Comitê Regional da Campanha, ampliando o debate sobre os impactos dos venenos na saúde dos/as trabalhadores e trabalhadoras, das comunidades rurais e consumidores/as, além de denunciar a falta de fiscalização no uso, consumo e venda de agrotóxicos. “O uso dos venenos nas lavouras aqui no Vale do São Francisco se tornou uma prática comum, mas está ficando insustentável pela resistência das ‘pragas’. Na fruticultura, cada vez mais se aumenta a dosagem dos venenos. E, quanto mais veneno se aplica, mais aparecem doenças e óbitos sem explicação das causas”, afirma Jozelita Tavares, Coordenadora Regional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).
De acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola, mais de um milhão de toneladas (o equivalente a mais de 1 bilhão de litros) de venenos foram jogadas nas lavouras em 2009, consagrando o Brasil com o vergonhoso título de campeão mundial no consumo de agrotóxicos. Essa tendência acompanha o avanço do agronegócio, um modelo de produção agrícola que concentra terra e utiliza grande quantidade de venenos para garantir a produção em escala industrial.
A campanha anuncia a possibilidade de construção de um modelo agrícola diferente, baseado na agricultura camponesa e agroecológica. Segundo Cléber Folgado, coordenador nacional da campanha, “produzir alimentos saudáveis com base em princípios agroecológicos, em pequenas propriedades, com respeito à natureza e aos trabalhadores é a única forma de acabar com a fome e de garantir qualidade de vida para as atuais e futuras gerações, rompendo com o modelo que concentra riquezas, expulsa a população do campo e produz pobreza e envenenamento”.
Além das falas de representantes das entidades locais que compõem o Comitê, o lançamento será mediado pelas intervenções de Cléber Folgado, da secretaria operativa nacional, e Domingos Rocha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas Agrícolas, Agroindustriais e Agropecuárias dos municípios de Juazeiro, Curaçá, Casa Nova, Sobradinho e Sento Sé (SINTAGRO).
Fonte: http://www.asabrasil.org.br/Portal/Informacoes.asp?COD_NOTICIA=6831
quarta-feira, 27 de julho de 2011
4ª CONFERÊNCIA NACIONAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR
“Alimentação Adequada e Saudável: direito de todos"
A segurança alimentar e nutricional deixou de ser um projeto de governo e virou programa de Estado. Está na lei 11.346, de 2006. E está na Constituição Federal, que em 2010 incluiu a alimentação no campo dos direitos humanos.
É neste contexto que acontece 4ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, de 7 a 10 de novembro, em Salvador (BA), cujo lema é “Alimentação Adequada e Saudável: direito de todos".
Será um evento com 2.000 pessoas, entre representantes do governo e da sociedade civil, observadores e convidados nacionais e internacionais, entre estes o diretor geral da FAO e o relator especial da ONU sobre o Direito Humano à Alimentação. Juntos, num exercício de participação e controle social, os participantes irão celebrar avanços e lançar um olhar sobre os desafios, como a erradicação da extrema pobreza.
Outro aspecto a se destacar é que o processo geral de construção do evento, envolvendo etapas municipais, territoriais e estaduais, deve contar com a participação de 50 mil pessoas.
A Conferência de Segurança Alimentar e Nutricional do Território Sertão Produtivo acontecerá nos dias 28 e 29 de Julho em Vitória da Conquista.
A 4ª Conferência Nacional será a primeira da presidenta Dilma Rousseff no campo da segurança alimentar e nutricional.
A segurança alimentar e nutricional deixou de ser um projeto de governo e virou programa de Estado. Está na lei 11.346, de 2006. E está na Constituição Federal, que em 2010 incluiu a alimentação no campo dos direitos humanos.
É neste contexto que acontece 4ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, de 7 a 10 de novembro, em Salvador (BA), cujo lema é “Alimentação Adequada e Saudável: direito de todos".
Será um evento com 2.000 pessoas, entre representantes do governo e da sociedade civil, observadores e convidados nacionais e internacionais, entre estes o diretor geral da FAO e o relator especial da ONU sobre o Direito Humano à Alimentação. Juntos, num exercício de participação e controle social, os participantes irão celebrar avanços e lançar um olhar sobre os desafios, como a erradicação da extrema pobreza.
Outro aspecto a se destacar é que o processo geral de construção do evento, envolvendo etapas municipais, territoriais e estaduais, deve contar com a participação de 50 mil pessoas.
A Conferência de Segurança Alimentar e Nutricional do Território Sertão Produtivo acontecerá nos dias 28 e 29 de Julho em Vitória da Conquista.
A 4ª Conferência Nacional será a primeira da presidenta Dilma Rousseff no campo da segurança alimentar e nutricional.
Trata-se, portanto, de um evento de inegável importância na agenda nacional, com visibilidade política e repercussão nos meios de comunicação.
Geléia de Maracujá-da-caatinga
Lave bem 6 maracujás-da-caatinga e corte-os ao meio. Coloque-os numa panela e cubra com água. Deixe cozinhar até ficar com a polpa bem macia. Se precisar, junte mais água, para sobrar um pouco. Passe tudo por peneira, retendo a pele e as sementes - guarde algumas para juntar à geleia. O conteúdo peneirado deve render 1 xícara. Coloque o mesmo volume em açúcar numa panela com a polpa e leve ao fogo, mexendo de vez em quando, para não grudar no fundo, até ficar com consistência de creme espesso. No último momento, junte um pouco de semente, só para embelezar. Espere amornar e despeje num pote de vidro. Guarde tapado na geladeira, para comer com queijos, biscoitos ou pães.
Rende: uma xícara de geléia
Rende: uma xícara de geléia
COMO USAR MANIPUEIRA OU ÁGUA DE MANDIOCA
Para guardar a manipueira você precisa de um recipiente com tampa, após colocar no frasco você deve deixá-lo tampado em repouso por três dias para azedar.
Ao abrir o recipiente ou a garrafa com a manipueira coloque em baixo uma bacia, pois o preparado espuma.
Para aplicar nas culturas você deve diluir um litro de manipueira em 20 litros de água para pulverizar o feijão por exemplo, e meio litro de manipueira para 20 litros de água quando for pulverizar hortaliças. Depois você pode ir aumentando a dosagem até chegar a um litro.
ATENÇÃO: A manipueira deve ser usada de forma preventiva, ou seja, antes que a praga se espalhe pela cultura.
Além de controlar formigas, a manipueira serve para acabar com as lêndeas do feijão, lagarta da couve e pode ser usada no coentro, alface e pimentão e pode ser também utilizada como adubo.
Receita repassada no Programa do dia 22/07/2011
COMPOSTO ORGÂNICO
Materiais para fazer o composto
- esterco de animais;
- qualquer tipo de planta, pastagem,ervas, cascas,folhas verdes e secas;
- palhas;
- serragem;
- bagaço de frutas;
- sobras de cozinha que sejam de origem animal ou vegetal;
- sobras de comida, cascas de ovo, entre outros.
Orientações
- depositar uma camada de material vegetal seco (folhas, palhadas, galhos
picados e outros) até uma altura de cerca de 15 cm;
- terminada a primeira camada, regar com água, evitando encharcar;
- colocar restos de verduras, grama e esterco, sendo essa camada mais fina,
com cerca de 2 a 3 cm;
- depositar nova camada de material vegetal seco e depois outra camada de
esterco e assim sucessivamente até a pilha atingir no máximo 1,50 m;
- molhar de tempos em tempos, sem deixar encharcar;
- a cada 2 ou 3 dias, revirar o monte para arejar;
- observar a temperatura do monte (se estiver quente é porque a decomposição está ocorrendo corretamente);
- cerca de 45 dias depois, o material depositado se transforma em composto orgânico.
LEMBRETES PARA PRODUÇÃO ORGÂNICA DE QUALIDADE
Plantar diversos tipos de hortaliças e legumes (quanto mais colorido melhor);
Verificar a época de plantio/ produção de cada espécie;
Utilizar caldas e produtos naturais(nunca utilizar agrotóxicos);
Utilizar adubo ou composto orgânico (nunca usar produtos químicos);
Fazer a correção do solo com calcário quando necessário;
Forrar os canteiros com palha para proteger e manter o solo úmido.
DICAS DO CAMPONÊS
CRAVO DE DEFUNTO
Basta plantar o cravo de defunto ao redor dos canteiros de hortaliças, ou consorciar com outras plantas, ele é um repelente natural e protege as plantações de algumas pragas, como as formigas, cigarrinhas, ácaros e pulgões;
DEFENSIVO DE ARRUDA
Para preparar você vai precisar de 100 gramas de arruda para um litro de água. Primeiro você vai picar as folhas da arruda, colocar na água e deixar descansar por um dia. Depois você vai coar e misturar em 20 litros de água e pulverizar as plantas e os locais onde aparecem as formigas.
PLANTAS MEDICINAIS NA CRIAÇÃO ANIMAL
Para você que cria galinhas e que de vez em quando se depara com um problema chamado gôgo ou coriza infecciosa, aqui vai a sugestão: é só fazer um preparado de alho com limão. Você vai precisar de 1 l (litro) de água limpa, espremer 5 ou 6 limões e amassar 2 dentes de alho, misture tudo e dê para os animais.
SABÃO DE CÔCO (CONTROLE DE PULGÕES, ÁCAROS E COCHONILHAS)
Você vai precisar de 50 gramas de sabão de côco em pó e 5 litros de água. É muito simples. Coloque as 50 gramas de sabão de côco em pó em 5 litros de água fervente. Deixe esfriar e pulverize frequentemente sobre as plantas.
CONTROLE DE DOENÇAS E PARASITAS DOS ANIMAIS
Para você preparar essa receita você vai precisar de sal e alho torrado. Ajudar a controlar piolhos, carrapatos, mosca do chifre e verminoses. Primeiro você vai torrar o alho e depois moer e servir para os animais junto com a ração ou com o sal. E para complementar você também pode usar o sal junto com enxofre, essa receita ajuda a controlar o mal do espinhaço das cabras. É só usar uma colher de sopa de enxofre para cada quilo de sal e servir no cocho para os animais.
Fonte: http://www.radionovavidafm.com.br/blog/index.php?id=10
RECEITA DO SAL MINERAL
INGREDIENTES
SEMENTES: 70 g de semente de melão; 70 g de semente de melancia; 70 g de semente de abóbora; 70 g de sementes de mamão; 70 g de cinzas.
CASCAS:100 g de cascas de aroeira; 100 g de cascas de umburana; 100 g de cascas de umbuzeiro; 100 g de cascas de Jatobá; 100 g de cascas de baba-timão; 100 g de cascas de jalapa; 100 g de cascas de ovos;
5 cabeças de alho e 25 Kg de sal comum.
MODO DE PREPARAR
Triture as sementes juntas, depois triture todas as cascas juntas. Pegue 25 colheres de sementes e 25 colheres de cascas que foram trituradas e junte em um só local e misture com os 24 Kg de sal comum. machuque o alho no pilão e torre no fogo com um Kg de sal comum. misture tudo.
Obs: Todas as sementes e cascas devem estar bem secas. não se deve usar nada enlatado.
caso os animais não aceitem essa mistura de imediato, a cada quilo de mistura junte 100 g de milho moído ou a cada 10 Kg de sal coloque 100 g de soja, ou seja, cada 25 Kg de sal mineral preparado, colocar 5 kg de milho moído e 250 g de farelo de soja. Está pronta a receita de um produtor rural. Serve para porcos, cabras, gado e ovelha e outros animais.
Judcael (Caé) - comunidade Campo Seco - Brumado/BA
Encontro de Agricultores Experimentadores do Semiárido -Pesqueira/PE.
Fonte: http://www.radionovavidafm.com.br/blog/index.php?id=10
SEMENTES: 70 g de semente de melão; 70 g de semente de melancia; 70 g de semente de abóbora; 70 g de sementes de mamão; 70 g de cinzas.
CASCAS:100 g de cascas de aroeira; 100 g de cascas de umburana; 100 g de cascas de umbuzeiro; 100 g de cascas de Jatobá; 100 g de cascas de baba-timão; 100 g de cascas de jalapa; 100 g de cascas de ovos;
5 cabeças de alho e 25 Kg de sal comum.
MODO DE PREPARAR
Triture as sementes juntas, depois triture todas as cascas juntas. Pegue 25 colheres de sementes e 25 colheres de cascas que foram trituradas e junte em um só local e misture com os 24 Kg de sal comum. machuque o alho no pilão e torre no fogo com um Kg de sal comum. misture tudo.
Obs: Todas as sementes e cascas devem estar bem secas. não se deve usar nada enlatado.
caso os animais não aceitem essa mistura de imediato, a cada quilo de mistura junte 100 g de milho moído ou a cada 10 Kg de sal coloque 100 g de soja, ou seja, cada 25 Kg de sal mineral preparado, colocar 5 kg de milho moído e 250 g de farelo de soja. Está pronta a receita de um produtor rural. Serve para porcos, cabras, gado e ovelha e outros animais.
Judcael (Caé) - comunidade Campo Seco - Brumado/BA
Encontro de Agricultores Experimentadores do Semiárido -Pesqueira/PE.
Fonte: http://www.radionovavidafm.com.br/blog/index.php?id=10
terça-feira, 26 de julho de 2011
Fotos do 1º Encontro de Literatura e Cultura Sertaneja
O que há no sertão e na cultura sertaneja?
Dias: 21 e 22 de julho - Campus XX - Brumado - BA
Veja as Fotos no Link Abaixo:
Dias: 21 e 22 de julho - Campus XX - Brumado - BA
Veja as Fotos no Link Abaixo:
terça-feira, 12 de abril de 2011
Um minuto de silêncio, artigo de Selvino Heck
Data: 08/04/2011
Selvino Heck
Assessor Extraordinário da Secretaria-Geral da Presidência da República
Assessor Extraordinário da Secretaria-Geral da Presidência da República
Muitos brasileiros e brasileiros choraram. Choraram de dor, choraram por não entender. Como pode um jovem brasileiro de pouco mais de 20 anos entrar numa escola onde tinha estudado, disparar dezenas de tiros a sangue frio, cirurgicamente no coração e na cabeça, matar, crianças, adolescentes, jovens? Que razão é essa, que sentimento é esse, o que pode explicar gesto tão tresloucado?
Talvez nada e ninguém expliquem. Tínhamos notícias mais ou menos freqüentes de fatos semelhantes nos Estados Unidos, um ou outro fato do tipo na Europa ou algum outro país. Pensávamos: mas lá a violência indiscriminada é comum e vem de longe, há posse livre de armas, fazem parte da vida das pessoas, eles fazem guerras o tempo todo, onde matam e morre muita gente inocente. O racismo e a intolerância, como se vê em tantos exemplos de um mundo globalizado, em tempos de notícia instantânea, estão presentes no seu cotidiano, quase fazem parte da sua cultura e história.
Mas o Brasil não! Aqui jamais! Aqui judeus e árabes convivem e se respeitam, há diversidade cultural, a intolerância eventualmente existente, quando acontece, não é no mesmo grau e intensidade da deles. Nós, brasileiras e brasileiros, somos diferentes. Acabamos de eleger uma mulher presidenta da República, sinal de que mulheres, negros, mulatos, brancos, amarelos, jovens, indígenas, pessoas vindas de todas as latitudes e origens têm espaço e oportunidade, não são discriminados, não sofrem da mesma segregação de outros países e povos.
Esta chacina no Rio obriga a pensar e repensar práticas, valores. Obriga a colocar a mão na consciência e perguntar: onde errei? Onde erramos?
Será herança histórica, num país onde o povo, em especial os mais pobres e os trabalhadores, teve pouco espaço ao longo dos séculos, a democracia foi sempre muito restrita, as elites e oligarquias sempre enxergaram o povo como servente braçal, muitas vezes mais como bucha de canhão, sem capacidade intelectual? E por isso estamos tão atrasados na educação e culturalmente, se nos compararmos com os países e irmãos latino-americanos, como acaba de ser demonstrado e divulgado esta semana?
Ou será que os anos recentes, quando o povo e os mais pobres começaram a ter acesso ao alimento, a fome e a miséria diminuíram, a renda, as condições e a qualidade de vida de milhões de brasileiras e brasileiros vêm melhorando substancialmente e há, finalmente, acesso a bens básicos como casa própria, utilidades domésticas, poder vestir-se melhor, poder viajar, estão trazendo consigo algum germe venenoso, ou valores como o egoísmo, a falta de solidariedade, o isolamento e a solidão da internet e do celular?
É preciso perguntar-se e saber se este é apenas um fato isolado, embora profundamente triste. Ou quem sabe exista algum razão produzida coletivamente pela sociedade do consumo e do individualismo, do ter sempre mais (e alguns ou muitos continuam não tendo ou não podendo ter), em vez de uma sociedade do ser, da partilha, do acesso solidário aos bens produzidos por todos, da convivência fraterna, da harmonia e da paz.
Dói. Dói muito. Crianças e jovens são feitos e estão prontos para viver. São a felicidade do olhar, o sentido de futuro, a esperança, o amanhã. Eu que já estou chegando nos meus sessenta talvez já tenho cumprido (ou não) boa parte do que me cabia fazer. Eles e elas não. Apenas desabrochavam na alegria juvenil e na possibilidade de ajudar a construir um outro tempo. Ou de continuar construindo outro tempo, ‘outro mundo possível’.
Como disse um pai, chorando: “Chegou a hora de todo mundo se unir e fazer um Brasil melhor”. Que fique esta frase no minuto de silêncio solicitado pela presidenta Dilma. E que não seja apenas um minuto, mas uma hora, um dia, semanas, meses, anos, décadas. Este país tem um espaço no mundo que nenhum tem ou poderá ter. Brasileiros e brasileiras encarnam valores vividos, celebrados, que não podem ser quebrados por um gesto estúpido ou um acontecimento trágico.
Um minuto para os jovens que perderam a vida! Um minuto de silêncio para a esperança e o futuro!
Mulheres lançam campanha por um consumo consciente e solidário
| Ascom - Casa da Mulher do Nordeste - | ||
| 08/04/2011 |
“O que você consome é essencial para sua vida? – Mulheres organizadas por uma nova forma de consumo.” Esse é o mote da campanha que será lançada pela Casa da Mulher de Nordeste (CMN) na próxima terça-feira (12). A proposta é sensibilizar a sociedade para a urgência de serem adotadas práticas de Consumo Consciente e Solidário, modelo que se caracteriza pela escolha de cada pessoa sobre o que e como produzir, consumir e comprar, na perspectiva de uma vida saudável, socialmente justa e ambientalmente sustentável. A iniciativa conta com a parceria da Rede de Mulheres Produtoras do Recife e Região Metropolitana e da Rede de Mulheres Produtoras do Pajeú.
Para garantir o êxito da campanha, a CMN pretende envolver diferentes movimentos sociais e organizações parceiras que atuam com temáticas como feminismo, agroecologia, segurança alimentar e nutricional e economia solidária. Dessa forma, já na Mesa de Diálogo sobre o tema, que acontecerá durante o lançamento da campanha, estão convidadas representantes de articulações e redes nessas áreas. Na ocasião, estarão presentes, ainda, 100 representantes da Rede de Mulheres Produtoras do Nordeste.
O foco principal da campanha é atingir as mulheres produtoras e os públicos com os quais elas se relacionam (consumidoras/ores diretas/os). No entanto, vai se tentar sensibilizar também a sociedade em geral, através de produtos como outdoor, outbus, panfletos, spots e programas de rádio, faixas, blog etc.
A campanha Consumo Consciente e Solidário integra um projeto mais amplo da Casa da Mulher do Nordeste, chamado "Tecendo um Nordeste solidário: Mulheres rurais e urbanas fortalecendo sua cidadania e autonomia econômica". Esse visa atingir, em dois anos, diretamente, 300 mulheres que vivem em situação de pobreza ou de risco, tanto da área urbana (100 mulheres da Região Metropolitana do Recife) como da rural (200 do Sertão do Pajeu), estimulando a capacidade produtiva desse publico, incidindo em políticas públicas e consolidando práticas de Economia Solidária. A iniciativa é patrocinada pela Petrobras, dentro do Programa Desenvolvimento & Cidadania, e pelo Governo Federal.
A campanha começa no dia 12 de março, mas a ideia é de que durante os dois anos de projeto, ela seja trabalhada, principalmente, tendo as mulheres como agentes multiplicadoras dessa nova forma de consumo.
CF-2011: Seminário aborda problemas e perspectivas da vida no Planeta em Campina Grande
Com o objetivo de dar impulso às ações voltadas para a Campanha da Fraternidade 2011, “Fraternidade e a Vida no Planeta”, a diocese de Campina Grande (PB) promove, neste sábado, 9, o Seminário “Fraternidade e a Vida o Planeta: problemas e perspectivas”. O evento é aberto ao público e acontece no Auditório da Cúria Diocesana, na Rua Afonso Campos, Centro, das 8h às 13h.
O evento é organizado pela Equipe Diocesana das Campanhas e propõe dar início à elaboração de um documento que será apresentado à Câmara Municipal em sessão especial e que visa cobrar das autoridades ações concretas com relação às questões que envolvem o meio ambiente, como lixo, gestão das águas e educação sócio-ambiental.
A Conferência de abertura é assessorada por Ivan Coelho Dantas, professor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Ele discorre sobre “O verde que proporciona vida”.
Em seguida tem um painel com o tema do Seminário. A mediadora é a professora da UEPB, Mônica Maria Pereira da Silva, Doutora em Recursos Naturais. Também à mesa a doutora em Botânica, professora Annemarie Konig; a professora Luisa Eugênia Mota Rocha, doutora em Recursos Naturais; a doutora em Engenharia Civil, Veruschka Escarião e o professor José Valberto de Oliveira; todos professores da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
Os assuntos abordados são: a gestão dos resíduos sólidos, aterro sanitário, educação ambiental entre outros. O público participa de todos os momentos com perguntas e colocações durante todo o Seminário.
Fonte: CNBB
O evento é organizado pela Equipe Diocesana das Campanhas e propõe dar início à elaboração de um documento que será apresentado à Câmara Municipal em sessão especial e que visa cobrar das autoridades ações concretas com relação às questões que envolvem o meio ambiente, como lixo, gestão das águas e educação sócio-ambiental.
A Conferência de abertura é assessorada por Ivan Coelho Dantas, professor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Ele discorre sobre “O verde que proporciona vida”.
Em seguida tem um painel com o tema do Seminário. A mediadora é a professora da UEPB, Mônica Maria Pereira da Silva, Doutora em Recursos Naturais. Também à mesa a doutora em Botânica, professora Annemarie Konig; a professora Luisa Eugênia Mota Rocha, doutora em Recursos Naturais; a doutora em Engenharia Civil, Veruschka Escarião e o professor José Valberto de Oliveira; todos professores da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
Os assuntos abordados são: a gestão dos resíduos sólidos, aterro sanitário, educação ambiental entre outros. O público participa de todos os momentos com perguntas e colocações durante todo o Seminário.
Fonte: CNBB
Oficina capacita animadores sociais na elaboração e gestão de projetos do PAA
A oficina foi uma iniciativa da Associação dos Apicultores do Sertão Paraibano (ASPA), entidade executora do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da ASA. Uma das linhas de ação do programa é a defesa da soberania e segurança alimentar nutricional, a partir das implementações de captação de águas de chuvas para a produção de alimentos, visando à melhoria da qualidade de vida das famílias do Semiárido. A oficina também objetivou despertar e capacitar as lideranças e entidades das Comissões Municipais para o desenvolvimento de projetos que dialoguem com as políticas públicas de segurança alimentar. Até porque, com o aumento da produção de alimentos, o excedente não consumido pelas famílias pode ser vendido e se tornar mais uma fonte de renda. E o PAA se constitui uma forma de escoar a produção familiar, fazendo com o agricultor não dependa do atravessador que não paga o preço justo pelos alimentos. Segundo a coordenada da ASPA, Socorro Goveia, as lideranças que integram as comissões em cada cidade têm um papel fundamental para a continuidade do trabalho da ASA. “O propósito de tudo que vem sendo feito é que elas não se encerrem com as instalações das implementações (tecnologias sociais), mas que as famílias beneficiadas continuem mobilizadas em ações concretas que valorizem seu protagonismo”, acrescenta. A experiência do PAA no município de Aparecida foi apresentada por Irismar Gomes, animadora microrregional da ASPA. Segundo ela, o programa funciona desde agosto de 2010 beneficiando cerca de 500 famílias com doação de cestas de alimentos, comprando a produção de 38 agricultores/as da região. A ASPA é a entidade proponente do PAA, organizando e executando a ação, em parceria com STRA e Pastoral da Criança. “Acho que o PAA é uma grande oportunidade para a Agricultura Familiar se fortalecer nos municípios. A gente vem trabalhando a produção, mas ainda têm as lacunas no que diz respeito à comercialização, então, o momento é de avançar nesse campo. As entidades locais têm que se apropriar dessa política e fazer, de fato, o programa chegar até a vida dos agricultores e agriculturas, para que a produção excedente seja comercializada”, salientou a geógrafa e coordenadora da Central das Associações dos Assentamentos do Alto Sertão Paraibano (CAAASP), Aldineide Alves. Os animadores sociais saíram da oficina comprometidos a elaborar projetos que fortaleçam a agricultura familiar nos municípios e a dar continuidade dentro das comissões às diversas ações da ASA, que vai além da construção de cisternas. Na oficina, os participantes acompanharam a explicação sobre o PAA com notebooks com o programa PAANET instalado que permite simular o passo a passo para inscrever um projeto no programa. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Aconteceu neste final de semana (09 e 10) mais um encontro da Cáritas Regional NE 3 em Brumado.
Com o intuito de implantação da Cáritas no município, aconteceu mais um encontro de formação da Cáritas Regional NE 3 em Brumado. O Encontro foi realizado no CTL com a presença de membros das CEB’S, pastorais e movimentos de nossa cidade.
O tema foi políticas publicas, e durante todo o final de semana, Daniel e Allan membros da Cáritas, levou os participantes a refletirem sobre o exercício do povo na construção das políticas publicas, e conscientização em prol do conhecimento e exercício dos direitos conquistados pelo povo.
Os participantes foram conduzidos a refletir sobre a sua participação efetiva nos processos de gestão da sociedade, além da importância de cada ser humano nesses processos, alertando que só há mudanças quando o povo se une e participa dos processos não como expectadores, mas, como atores e agentes da história.
O tema foi políticas publicas, e durante todo o final de semana, Daniel e Allan membros da Cáritas, levou os participantes a refletirem sobre o exercício do povo na construção das políticas publicas, e conscientização em prol do conhecimento e exercício dos direitos conquistados pelo povo.
Os participantes foram conduzidos a refletir sobre a sua participação efetiva nos processos de gestão da sociedade, além da importância de cada ser humano nesses processos, alertando que só há mudanças quando o povo se une e participa dos processos não como expectadores, mas, como atores e agentes da história.
Dilma e o "Água para Todos"
Roberto Malvezzi (Gogó)
05/04/2011
O anúncio da presidenta Dilma, que vai transformar o “Água para Todos” (Bahia) em um programa federal, na linha da superação da miséria, soa como uma chuva no sertão depois de meses de estiagem.
Ainda mais, ela não anunciou uma nova grande obra, tipo Transposição, mas a construção de 800 mil cisternas, além da implementação de novas adutoras. Quem atua no Semiárido, como eu que estou aqui há mais de 30 anos, talvez esteja ouvindo o que gostaria de ouvir, mas que não sonhava mais ouvir essa afirmação em vida.
Essas pequenas obras hídricas, multiplicadas aos milhares, quem sabe um dia aos milhões, já deram prova que são capazes de erradicar o mais pernicioso dos males nordestinos, isto é, a sede humana. O projeto P1MC da ASA já construiu aproximadamente 350 mil cisternas, beneficiando cerca de 1,7 milhões de pessoas.
Já começou também a implementação do Projeto P1+2, isto é, a captação da água de chuva para produção de hortas e dessedentação de pequenos animais, como galinhas, porcos e caprinos. Esse outro programa pode erradicar o segundo mal nordestino, isto é, a fome e a desnutrição, ainda mais se associado a uma reforma agrária adequada à região.
O resultado pode ser visto pelos indicadores. Já não se fala mais em saques, frentes de emergência, diminuiu a mortalidade infantil, a migração nordestina se estabilizou. Claro, ajudam muito as demais políticas como a aposentadoria dos rurais, o acesso à energia, a disseminação das tecnologias como celular e internet, inclusive o Bolsa Família.
Esperamos que as adutoras sejam as propostas no Atlas do Nordeste, agora ampliado e aprofundado para o Atlas Brasil de Águas, fantástica obra da Agência Nacional de Águas (ANA). Elas são a solução para a insegurança hídrica nos meios urbanos de todo o Nordeste.
Se Dilma quiser ser ainda mais conseqüente, pode assumir a iniciativa do Fórum de Mudanças Climáticas, quando apresentou ao Ministro Gilberto Carvalho a proposta da produção de energia solar a partir das casas dos moradores do Semiárido, convertendo-a automaticamente em energia elétrica, sendo o governo o principal comprador dessa energia. Assim, além de água, seriam produtores também de energia. Uma saída para o Bolsa Família, já que geraria renda, além de produzir energia limpa, sem emissão de CO2 na atmosfera. Essa tecnologia já está disponível, inclusive no Brasil e dispensa a acumulação em baterias. Essa política pública de compra da energia produzida nas casas já existe em países como Alemanha, Itália e Espanha.
05/04/2011
O anúncio da presidenta Dilma, que vai transformar o “Água para Todos” (Bahia) em um programa federal, na linha da superação da miséria, soa como uma chuva no sertão depois de meses de estiagem.
Ainda mais, ela não anunciou uma nova grande obra, tipo Transposição, mas a construção de 800 mil cisternas, além da implementação de novas adutoras. Quem atua no Semiárido, como eu que estou aqui há mais de 30 anos, talvez esteja ouvindo o que gostaria de ouvir, mas que não sonhava mais ouvir essa afirmação em vida.
Essas pequenas obras hídricas, multiplicadas aos milhares, quem sabe um dia aos milhões, já deram prova que são capazes de erradicar o mais pernicioso dos males nordestinos, isto é, a sede humana. O projeto P1MC da ASA já construiu aproximadamente 350 mil cisternas, beneficiando cerca de 1,7 milhões de pessoas.
Já começou também a implementação do Projeto P1+2, isto é, a captação da água de chuva para produção de hortas e dessedentação de pequenos animais, como galinhas, porcos e caprinos. Esse outro programa pode erradicar o segundo mal nordestino, isto é, a fome e a desnutrição, ainda mais se associado a uma reforma agrária adequada à região.
O resultado pode ser visto pelos indicadores. Já não se fala mais em saques, frentes de emergência, diminuiu a mortalidade infantil, a migração nordestina se estabilizou. Claro, ajudam muito as demais políticas como a aposentadoria dos rurais, o acesso à energia, a disseminação das tecnologias como celular e internet, inclusive o Bolsa Família.
Esperamos que as adutoras sejam as propostas no Atlas do Nordeste, agora ampliado e aprofundado para o Atlas Brasil de Águas, fantástica obra da Agência Nacional de Águas (ANA). Elas são a solução para a insegurança hídrica nos meios urbanos de todo o Nordeste.
Se Dilma quiser ser ainda mais conseqüente, pode assumir a iniciativa do Fórum de Mudanças Climáticas, quando apresentou ao Ministro Gilberto Carvalho a proposta da produção de energia solar a partir das casas dos moradores do Semiárido, convertendo-a automaticamente em energia elétrica, sendo o governo o principal comprador dessa energia. Assim, além de água, seriam produtores também de energia. Uma saída para o Bolsa Família, já que geraria renda, além de produzir energia limpa, sem emissão de CO2 na atmosfera. Essa tecnologia já está disponível, inclusive no Brasil e dispensa a acumulação em baterias. Essa política pública de compra da energia produzida nas casas já existe em países como Alemanha, Itália e Espanha.
Portanto, temos todas as saídas na mão. A presidenta pode valorizar a experiência acumulada pela sociedade civil, que não só constrói obras, mas faz a educação contextualizada para a convivência com o Semiárido. A ASA pode ajudar a multiplicar esses educadores, caso o Estado se interesse.
Enfim, depois de tantas loucuras cometidas em nome da sede humana no Semiárido, quem sabe tenha chegado a vez do bom senso.
Se assim realmente acontecer, a fome e a sede serão páginas viradas dessa triste história.
Se assim realmente acontecer, a fome e a sede serão páginas viradas dessa triste história.
Vai acontecer o II Encontro de Agricultores/as Experimentadores/as do Semiárido
Dias 27 e 29 de abril e envolverá agricultores e agricultoras de todo o Semiárido.
A Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) realizará entre os dias 27 e 29 de abril em Pesqueira, no Agreste Meridional de Pernambuco, o II Encontro Nacional de Agricultoras e Agricultores Experimentadores do Semiárido, O encontro envolverá agricultores e agricultoras de todo o Semiárido, integrantes das organizações da ASA e a participação de delegações de agricultores da Bolívia, Argentina, Paraguai e Cuba, além de representantes do governo brasileiro na esfera estadual e federal.
O primeiro encontro aconteceu em 2009, em Recife, fortalecendo a troca de experiências.
Nesta segunda edição, o encontro discutirá questões sobre acesso à terra, manejo da agrobiodiversidade, segurança hídrica, quintais produtivos, criação de pequenos animais, acesso aos mercados e agricultores/as experimentadores na construção do conhecimento agroecológico. Todas estas temáticas serão tratadas a partir de visitas de intercâmbios à famílias agricultoras, inseridas em dinâmicas sociais de experimentação no território do Agreste.“O encontro se propõe a mobilizar agricultores/as experimentadores/as, a partir do mapeamento de experiências consideradas inovadoras e que contribuem com o desenvolvimento sustentável da região semiárida”, destaca Neilda Pereira, integrante da coordenação executiva da ASA Pernambuco, pela Diocese de Pesqueira
A Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) realizará entre os dias 27 e 29 de abril em Pesqueira, no Agreste Meridional de Pernambuco, o II Encontro Nacional de Agricultoras e Agricultores Experimentadores do Semiárido, O encontro envolverá agricultores e agricultoras de todo o Semiárido, integrantes das organizações da ASA e a participação de delegações de agricultores da Bolívia, Argentina, Paraguai e Cuba, além de representantes do governo brasileiro na esfera estadual e federal.
O primeiro encontro aconteceu em 2009, em Recife, fortalecendo a troca de experiências.
Nesta segunda edição, o encontro discutirá questões sobre acesso à terra, manejo da agrobiodiversidade, segurança hídrica, quintais produtivos, criação de pequenos animais, acesso aos mercados e agricultores/as experimentadores na construção do conhecimento agroecológico. Todas estas temáticas serão tratadas a partir de visitas de intercâmbios à famílias agricultoras, inseridas em dinâmicas sociais de experimentação no território do Agreste.“O encontro se propõe a mobilizar agricultores/as experimentadores/as, a partir do mapeamento de experiências consideradas inovadoras e que contribuem com o desenvolvimento sustentável da região semiárida”, destaca Neilda Pereira, integrante da coordenação executiva da ASA Pernambuco, pela Diocese de Pesqueira
Intercâmbio mobiliza agricultores da microrregião de Brumado
O dia mundial da água foi marcado pela realização do Intercâmbio de Experiências dos Projetos Aguadas, Cisternas e P1MC, em Malhada de Pedras. Agricultores e agricultoras de 06 municípios da microrregião de Brumado conheceram experiências exitosas de convivência com o Semiárido.
A Associação Divina Providência realizou, nos dias 22 e 23 de março, o 1º Intercâmbio de Experiências dos Projetos Aguadas, Cisternas e P1MC. A atividade envolveu agricultores e agricultoras de 06 municípios da Microrregião de Brumado, nos quais foram implantadas as tecnologias do Projeto Aguadas sendo estes: Brumado, Lagoa Real, Cordeiros, Guajeru, Malhada de Pedras e Presidente Jânio Quadros. Os participantes visitaram três famílias beneficiadas com tecnologias sociais na Comunidade de Riachão, que é considerada um exemplo de convivência com o Semiárido por já ter conquistado as quatro linhas de captação de água de chuva e a sua segurança hídrica. Além da visita houve ainda a discussão de temas como a campanha da Fraternidade 2011 que trata da questão ambiental e ainda os Caminhos da Convivência com o Semiárido.
As experiências visitadas nas propriedades das famílias de Seu Quileu, Seu Abias e Seu Miro, apesar do pouco tempo de implantadas, foram consideradas exitosas pela forma como as famílias as utilizam e pela variedade de culturas como banana, mamão, melancia e no cultivo de hortaliças. Para os participantes, a novidade foi poder conhecer as três tecnologias (cisterna para consumo humano, cisterna para produção e o barreiro trincheira) na mesma propriedade, e ainda uma bomba BAP, que é instalada em um poço na propriedade de Seu Abias, mas é de uso comunitário, utilizada para a dessedentação animal. Estas tecnologias foram implantadas pelos três projetos executados pela Associação Divina Providência.
O momento da socialização foi também aproveitado para avaliar se as tecnologias implantadas atenderam na prática às necessidades das comunidades. Segundo os agricultores, as implantações das tecnologias diminuíram o sofrimento por falta de água, tanto das pessoas como dos animais, possibilitando às famílias beneficiárias melhores condições de vida, saúde e alimentação, evitando ainda o desgaste físico e de tempo, especialmente para as mulheres.
Os participantes lembraram ainda como pontos positivos do Projeto, a união, a valorização das tecnologias, a satisfação dos beneficiários, a capacitação em Gerenciamento de Recursos Hídricos, a presença constante da equipe técnica do Projeto aguadas e a ousadia das famílias em aceitar a proposta e encarar os desafios.
Para os participantes, o ponto forte do encontro foi a oportunidade de se encontrarem e trocarem experiências sobre as maneiras de plantar os canteiros, aproveitar melhor o solo, utilização de produtos orgânicos e cuidados com as aguadas.
Em relação ao Projeto Aguadas, foi avaliado como ponto fraco a quantidade de tecnologias, atendendo a poucas famílias em cada localidade.
A Associação Divina Providência realizou, nos dias 22 e 23 de março, o 1º Intercâmbio de Experiências dos Projetos Aguadas, Cisternas e P1MC. A atividade envolveu agricultores e agricultoras de 06 municípios da Microrregião de Brumado, nos quais foram implantadas as tecnologias do Projeto Aguadas sendo estes: Brumado, Lagoa Real, Cordeiros, Guajeru, Malhada de Pedras e Presidente Jânio Quadros. Os participantes visitaram três famílias beneficiadas com tecnologias sociais na Comunidade de Riachão, que é considerada um exemplo de convivência com o Semiárido por já ter conquistado as quatro linhas de captação de água de chuva e a sua segurança hídrica. Além da visita houve ainda a discussão de temas como a campanha da Fraternidade 2011 que trata da questão ambiental e ainda os Caminhos da Convivência com o Semiárido.
As experiências visitadas nas propriedades das famílias de Seu Quileu, Seu Abias e Seu Miro, apesar do pouco tempo de implantadas, foram consideradas exitosas pela forma como as famílias as utilizam e pela variedade de culturas como banana, mamão, melancia e no cultivo de hortaliças. Para os participantes, a novidade foi poder conhecer as três tecnologias (cisterna para consumo humano, cisterna para produção e o barreiro trincheira) na mesma propriedade, e ainda uma bomba BAP, que é instalada em um poço na propriedade de Seu Abias, mas é de uso comunitário, utilizada para a dessedentação animal. Estas tecnologias foram implantadas pelos três projetos executados pela Associação Divina Providência.
O momento da socialização foi também aproveitado para avaliar se as tecnologias implantadas atenderam na prática às necessidades das comunidades. Segundo os agricultores, as implantações das tecnologias diminuíram o sofrimento por falta de água, tanto das pessoas como dos animais, possibilitando às famílias beneficiárias melhores condições de vida, saúde e alimentação, evitando ainda o desgaste físico e de tempo, especialmente para as mulheres.
Os participantes lembraram ainda como pontos positivos do Projeto, a união, a valorização das tecnologias, a satisfação dos beneficiários, a capacitação em Gerenciamento de Recursos Hídricos, a presença constante da equipe técnica do Projeto aguadas e a ousadia das famílias em aceitar a proposta e encarar os desafios.
Para os participantes, o ponto forte do encontro foi a oportunidade de se encontrarem e trocarem experiências sobre as maneiras de plantar os canteiros, aproveitar melhor o solo, utilização de produtos orgânicos e cuidados com as aguadas.
Em relação ao Projeto Aguadas, foi avaliado como ponto fraco a quantidade de tecnologias, atendendo a poucas famílias em cada localidade.
“Para mim o principal é aprender com pessoas de outra região, eu sou de uma região mais distante, é a convivência, é dividir os problemas, eu ensinar pra e ele me ensinar, trocar as experiências e ver o que no terreno do outro deu um resultado positivo, eu posso levar isso pra lá. o que eu tenho de positivo posso trazer pra cá. É a troca de experiências e a união, unindo forças, saber como contar os resultados positivos do Projeto Aguadas, que é uma coisa bem interessante. Na minha região alguns vão receber a cisterna de produção e tem dúvidas ainda de como trabalhar, e a gente tá vendo aqui que tá dá dando certo e dá pra continuar mesmo sendo uma região difícil, vai ter resultado sim. Isso é que é importante, a troca de experiências”. – Vanessa Maria da Silva – Comunidade Sumidouro – Cordeiros/BA.
Água ou Mineração: o que a sociedade quer?
Carta do Encontro dos Atingidos e Atingidas pela Mineração na Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco
Articulação Popular do São Francisco - Assessoria de Comunicação
23/03/2011
Nós, organizações e movimentos populares vindos de vários cantos das Bacias Hidrográficas do Rio São Francisco, Rio Doce, Rio Jequitinhonha e Paraíba do Sul, nos reunimos nos dias 19 a 22 de março de 2011, em Ouro Preto, Minas Gerais, no Encontro dos Atingidos e Atingidas pela Mineração na Bacia do Rio São Francisco. Diante do quadro atual da degradação causada pela atividade de mineração e em meio à omissão dos nossos governantes, vimos por essa carta defender a água como bem público fundamental à vida humana e à biodiversidade e exigir o direito ao uso prioritário das águas pelas comunidades.
Nesses dias, pudemos constatar que o Estado tem sido o principal promotor dessa sanha voraz de produção e extração de minérios em grande escala, que tem diminuído e contaminado a nossa água e machucado a Terra, deixando-a em carne viva. Vimos oceanos de rejeitos, expostos a céu aberto – “cemitérios de ecossistemas” – prova dos nove do processo degradante. Vimos minerodutos que consumirão um volume de água suficiente para abastecer uma cidade de 200 mil habitantes, mas cujo uso está restrito ao transporte de ferro. Mas, vimos e ouvimos, sobretudo, pessoas machucadas em sua alma, marcadas na carne, adoecidas, expulsas de suas terras, ameaçadas pelo que os poucos interessados chamam simplesmente de “crescimento”, como o novo nome do “desenvolvimento”.
Mais que bem indispensável à vida, a água para nós é dotada de valores sociais, biológicos, ambientais, medicinais, culturais e religiosos, e deve ser assegurada à atual e às futuras gerações com padrões de quantidade e qualidade adequados aos respectivos usos.
A Mineração é a atividade econômica que mais gera degradações aos recursos hídricos e estamos aqui para enfrentar e dizer não a este modelo atual de exploração minerária. Terra, água, territórios e pessoas não podem ser reduzidos a “reserva mineral” ou “jazida”. Territórios “ferríferos” antes são territórios “aqüíferos”, lugar da vida!
As outorgas, que foram e estão sendo concedidas, poderão ser mais um elemento a agravar esta realidade. A maneira como estão sendo concedidas para os empreendimentos de mineração, seja para utilização de água na planta industrial e no transporte do minério, seja para barragem de rejeitos, não considera efetivamente os impactos sobre a qualidade e a quantidade das águas, por exemplo, o rebaixamento do lençol freático e a poluição dos mananciais.
Para garantia do bem estar público, autorizações e licenciamentos da esfera pública não podem se restringir a juízos cobertos apenas pela aparência de cumprimento de “legalidade”, já que não faltam evidências das conseqüências negativas geradas pela exploração pouco criteriosa dos minérios. Ritos legais são inócuos se a razão maior da formalidade - a seguridade do direito coletivo - é jogada por terra em nome de direitos privados.
Diante da urgência e da gravidade que a preservação de nossas águas impõe, resta-nos perguntar – Água ou Mineração: o que a sociedade quer?
Para nós, a resposta está clara: a mineração, ao contrário do que dizem as nossas leis, não tem sido de utilidade pública. É, antes de tudo, um bem privado, com lucros na mão de poucos, a custo de um grande sofrimento das populações atingidas e que acarreta um enorme mal público.
O processo de elaboração do Marco Regulatório da Mineração e do Plano Nacional de Mineração não pode ser um conluio entre empresários e governantes. A sociedade é convocada a se interessar, interferir e determinar este debate.
Articulação Popular do São Francisco - Assessoria de Comunicação
23/03/2011
Nós, organizações e movimentos populares vindos de vários cantos das Bacias Hidrográficas do Rio São Francisco, Rio Doce, Rio Jequitinhonha e Paraíba do Sul, nos reunimos nos dias 19 a 22 de março de 2011, em Ouro Preto, Minas Gerais, no Encontro dos Atingidos e Atingidas pela Mineração na Bacia do Rio São Francisco. Diante do quadro atual da degradação causada pela atividade de mineração e em meio à omissão dos nossos governantes, vimos por essa carta defender a água como bem público fundamental à vida humana e à biodiversidade e exigir o direito ao uso prioritário das águas pelas comunidades.
Nesses dias, pudemos constatar que o Estado tem sido o principal promotor dessa sanha voraz de produção e extração de minérios em grande escala, que tem diminuído e contaminado a nossa água e machucado a Terra, deixando-a em carne viva. Vimos oceanos de rejeitos, expostos a céu aberto – “cemitérios de ecossistemas” – prova dos nove do processo degradante. Vimos minerodutos que consumirão um volume de água suficiente para abastecer uma cidade de 200 mil habitantes, mas cujo uso está restrito ao transporte de ferro. Mas, vimos e ouvimos, sobretudo, pessoas machucadas em sua alma, marcadas na carne, adoecidas, expulsas de suas terras, ameaçadas pelo que os poucos interessados chamam simplesmente de “crescimento”, como o novo nome do “desenvolvimento”.
Mais que bem indispensável à vida, a água para nós é dotada de valores sociais, biológicos, ambientais, medicinais, culturais e religiosos, e deve ser assegurada à atual e às futuras gerações com padrões de quantidade e qualidade adequados aos respectivos usos.
A Mineração é a atividade econômica que mais gera degradações aos recursos hídricos e estamos aqui para enfrentar e dizer não a este modelo atual de exploração minerária. Terra, água, territórios e pessoas não podem ser reduzidos a “reserva mineral” ou “jazida”. Territórios “ferríferos” antes são territórios “aqüíferos”, lugar da vida!
As outorgas, que foram e estão sendo concedidas, poderão ser mais um elemento a agravar esta realidade. A maneira como estão sendo concedidas para os empreendimentos de mineração, seja para utilização de água na planta industrial e no transporte do minério, seja para barragem de rejeitos, não considera efetivamente os impactos sobre a qualidade e a quantidade das águas, por exemplo, o rebaixamento do lençol freático e a poluição dos mananciais.
Para garantia do bem estar público, autorizações e licenciamentos da esfera pública não podem se restringir a juízos cobertos apenas pela aparência de cumprimento de “legalidade”, já que não faltam evidências das conseqüências negativas geradas pela exploração pouco criteriosa dos minérios. Ritos legais são inócuos se a razão maior da formalidade - a seguridade do direito coletivo - é jogada por terra em nome de direitos privados.
Diante da urgência e da gravidade que a preservação de nossas águas impõe, resta-nos perguntar – Água ou Mineração: o que a sociedade quer?
Para nós, a resposta está clara: a mineração, ao contrário do que dizem as nossas leis, não tem sido de utilidade pública. É, antes de tudo, um bem privado, com lucros na mão de poucos, a custo de um grande sofrimento das populações atingidas e que acarreta um enorme mal público.
O processo de elaboração do Marco Regulatório da Mineração e do Plano Nacional de Mineração não pode ser um conluio entre empresários e governantes. A sociedade é convocada a se interessar, interferir e determinar este debate.
terça-feira, 29 de março de 2011
Eduardo Galeano homenageia militantes da água
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| O escritor Eduardo Galeano recebeu terça-feira (22) o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Nacional de Cuyo, na Argentina, e dedicou o mesmo aos militantes da água “que em Mendoza e muitas outras comunidades do mundo lutam contra as mineradoras que a contaminam, as empresas florestais que a secam e contra todos os que traem a natureza, convertendo a água em um negócio e não um direito de todos”. “A água é e quer seguir sendo um direito de todos”, disse Galeano. O ato ocorreu no Salão de Grau da Universidade, cuja transmissão teve que ser exibida em outras duas salas pela grande quantidade de assistentes, a grande maioria deles estudantes, que não economizaram aplausos para celebrar a presença e as palavras do novo doutor. Em sua exposição, Galeano fez uma referência aos bicentenários que diferentes países da América Latina celebram nestes anos. “A independência segue sendo uma tarefa inconclusa e é necessário memória para completá-la”. Falando sobre a memória, Galeano exaltou o “primeiro país independente e livre da América, o Haiti”. Ainda que os Estados Unidos tenham proclamado sua independência em 1776, “os 645 mil escravos seguiram sendo escravos”. Em troca, em 1804, no Haiti foi proclamada a independência e se libertaram os escravos. Esse fato “resultou imperdoável” para os antigos dominadores que “exigiram ao Haiti o pagamento, durante um século e meio, da dívida francesa e o condenaram, até hoje, à solidão, o desprezo e a miséria”. Citou o Paraguai como outro exemplo. “Esse país desobediente e sem dívida foi destruído em nome da liberdade de comércio”, em cujo “prontuário” figura “a imposição do ópio na China e a destruição de ateliers na Índia por parte da rainha Vitória, da Inglaterra”. No marco do rio da Prata, evocou as figuras de Mariano Moreno e Juan José Castelli, membros da Primeira Junta, qualificados como “muito perversos” por aqueles que “sequestraram a Revolução” e defenestrados do processo. Galeano também fez uma menção especial ao educador venezuelano Simón Rodríguez “El Loco”, a quem definiu como “o mais audaz e adorável dos pensadores latino-americanos”, apesar de ser “um perdedor” devido às perseguições que sofreu, mas não por isso menos importante, porque “na memória dos perdedores, ali está a verdade”. Ele lembrou algumas das iniciativas “proibidíssimas” do professor de Simón Bolívar – no contexto da década de 1820 – como seu princípio de que “sem educação popular não haverá verdadeira sociedade”, ou sua audácia de “mesclar rapazes e moças na escola e o ensino de artes manuais com as tarefas intelectuais”. Recordou a famosa frase de Rodríguez: “Imitadores! Copiem dos Estados Unidos e da Europa sua originalidade” – e se perguntou: “Por acaso não está vivo esse “Loco” nas ânsias e ações de independência de nossos povos”. O escritor finalizou sua exposição com a evocação do uruguaio José Artigas, “a voz mais profunda destas terras” e “primeiro a realizar uma reforma agrária na América”. Recordou com ironia que os chefes da última ditadura militar do Uruguai, ao erigir um mausoléu em honra a Artigas, buscaram em vão alguma citação dele para colocar no monumento. “Não conseguiram, porque todas as suas frases eram subversivas, Então só registraram datas de batalhas. “Artigas também é um perdedor profundamente ativo”, finalizou. |
Água e Águas
| Roberto Malvezzi (Gogó) * |
| 25/03/2011 |
Quando a Bíblia fala em "água", está falando de algo benfazejo, bom, comparando até o próprio Deus da Vida como "um rio de água viva". É a água serena de um rio calmo, de um banho revitalizante, de um copo d'água cristalino quando temos muita sede. Também de uma chuva serena, que irriga a terra e faz a ressurreição da caatinga depois de meses sem chuva. Então tudo reverdece, o que parecia morto revive e a vida explode em toda sua biodiversidade e beleza.
É essa água que buscamos de modo incessante, assim como o povo do nosso semi-árido, guardando-a até numa simples cisterna, para que ela não falte nos períodos em que normalmente não haverá chuvas. É dessa forma que aproximadamente 400 mil famílias já adquiriram sua cisterna, participando de uma luta coletiva que lhes dá o mínimo para viver.
Também na briga pelo Rio São Francisco, ou na resistência a obras estúpidas como Belo Monte, no fundo está a defesa de nossos rios, caminhos que andam, veias que irrigam o corpo da Terra e abastecem as populações que procuraram suas margens para viver melhor.
A água na Bíblia
Entretanto, quando a Bíblia fala em "águas", como as do dilúvio, ou as do Mar Vermelho que cobriram o exército dos egípcios, está falando de sua força devastadora (Sandro Gallazzi).
Em nada essa experiência é diferente do que experimenta hoje a população de Santa Catarina, ou dos morros de Teresópolis, ou a população sertaneja de Pernambuco e Alagoas. Sob as águas e a lama vão as casas, os bens, quando não a própria vida. É a experiência da fúria natural pela força das águas.
O que resta é sempre um cenário de destruição total. Tudo que estava no caminho das águas fica destruído. Reconstruir o patrimônio de famílias, comunidades e de cidades inteiras tem custo e marca o corpo e a alma.
Devido ao aquecimento global os climatologistas já nos avisaram que esses fenômenos vão se tornar cada vez mais constantes e intensos. Portanto, podemos e devemos nos preparar para o pior, pelo menos até onde é possível chegar essa precaução.
Claro que está em jogo a ocupação de morros, de margens de rios, assim por diante. Porém, a humanidade sempre procurou as margens dos rios, para estar próxima das águas. Mas, as enchentes eram naturais, com ciclos mais regulares, permitindo aos povos desenvolver uma convivência mais pacífica com as variações dos rios.
No São Francisco, por exemplo, vi muitas vezes as comunidades fincarem estacas junto à linha d'água para averiguar a elevação do seu nível no dia seguinte. Hoje, as águas chegam diluvianas de um instante para o outro, não permitindo sequer sair de casa.
Campanha da Fraternidade
O tema da Campanha da Fraternidade desse ano é justamente o aquecimento global. Ele está alterando rápida e violentamente o regime das águas. Com mais calor há mais evaporação. Com mais evaporação há, por consequência, mais precipitação e, particularmente, precipitações mais concentradas. A chuva que se abateu sobre Nova Friburgo foi cerca de 180 milímetros, o que significa 180 litros de água por metro quadrado. Em qualquer lugar do mundo seria devastadora. Porém, se cai em áreas ambientalmente alteradas pela ação humana, transforma-se em tragédia.
Para muitos cientistas o aquecimento global é o maior desafio que a humanidade já enfrentou. Para James Lovelock, diante desse fenômeno, todos os outros problemas humanos são praticamente irrelevantes. Se a temperatura média da Terra se elevar de dois até seis graus, o planeta vai se tornar um inferno. A mudança no regime das águas será um dos fatores mais devastadores como consequência dessas mudanças.
O Brasil não é um país preparado para enfrentar essa nova realidade. Nossa população foi expulsa massivamente do campo e teve que se arranjar nas cidades. Sem espaço nos meios mais elitizados, acabou ocupando as encostas dos morros. Aliás, a expressão "favela" tem origem em uma árvore nordestina, que faz a pele arder intensamente quando toca o corpo. Dizem os estudiosos que foram os soldados remanescentes da guerra de Canudos que, ao voltarem para o Rio de Janeiro, sem espaço para ficar, ocuparam os primeiros morros cariocas e deram a essas ocupações o codinome de "favelas". Sabiam o que tinham encontrado no sertão, sabiam o que estavam encontrando no Rio.
A ocupação das cidades, portanto, se deu sem qualquer planejamento, a não ser a necessidade de mão-de-obra barata para atender à industrialização brasileira. Hoje, cidades assim precárias e injustamente construídas, não têm condição de suportar o aumento na pluviosidade e na precipitação concentradas, geradas pelas mudanças do clima.
A chamada Defesa Civil não está preparada para fenômenos desse porte. Já se fala que teremos que lidar com essas questões como os países que sofrem furacões tiveram que se preparar para enfrentá-los. Portanto, demanda uma nova cultura diante das catástrofes, mas demanda também pessoas e muitos investimentos.
Costumamos repetir que não estamos em uma "época de mudanças", mas em uma "mudança de época". A sociedade que vivemos, assim como a Terra que vivemos, serão bastante diferentes ao final desse século. Talvez muito piores. Uma verdadeira incógnita.
Por isso, a imensa responsabilidade dos que dirigem a humanidade e nosso país nesse momento. O futuro vai depender das decisões hoje tomadas. Uma delas diz respeito às mudanças no Código Florestal. A proposta, oriunda do setor empresarial do campo, mas que inclui também medidas para as cidades visa facilitar o desmatamento em morros e margens de rios, exatamente onde está a maior vulnerabilidade ambiental. Permitir essas mudanças, só porque há um setor da sociedade poderoso política e economicamente, é consolidar a tragédia para as gerações futuras, que podem ser nossos filhos e netos. Esse talvez seja o exemplo mais cabal do ponto que pode chegar a irresponsabilidade humana. Parodiando Millôr Fernandes, a humanidade "já deu provas que pode chegar até o limite de sua ignorância e, no entanto, prosseguir".
* Roberto Malvezzi é membro da Equipe Terra, Água e Meio Ambiente do CELAM.
Publicado na revista Missões, n. 02, Março de 2011.
quinta-feira, 10 de março de 2011
ANA lança "hotsite" do Dia Mundial da Água
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| Tradicionalmente lançado pela Agência Nacional de Águas (ANA) no início do mês, o hotsite Águas de Março 2011 está disponível a partir de hoje. Com o tema "Água para as Cidades - Respondendo ao desafio urbano", este ano a Organização das Nações Unidas (ONU) convida a população mundial a refletir sobre a importância de políticas públicas e do uso responsável dos recursos hídricos nas grandes cidades, com o objetivo de garantir o abastecimento das futuras gerações. Segundo as Nações Unidas, a cada mês cinco milhões de pessoas chegam às grandes cidades nos países em desenvolvimento. No Brasil, o desafio de manter a oferta hídrica nas grandes cidades também é grande. Hospedado no site institucional da ANA, o "Águas de Março" traz informações sobre o Atlas de Abastecimento Urbano de Água, que aponta quais são as ações e investimentos necessários para garantir o abastecimento nas cidades brasileiras. O "hotsite" traz ainda dicas e exemplos de uso racional, notícias, entrevistas e o calendário de eventos em todo o Brasil. Órgãos de governo, instituições que fazem parte do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh), organizações não governamentais e o terceiro setor podem cadastrar seus eventos para serem divulgados no portal. Para conhecer o "hotsite" ou cadastrar eventos, acesse www.ana.gov.br e fique por dentro do que acontece no Brasil em comemoração ao Dia Mundial da Água 2011. Fonte: Informe Consea |
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Brasil mínimo
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| No Brasil, para a maioria da população, tudo é mínimo: o salário, a renda, o Bolsa Família, até o Estado há pouco tempo atrás era para ser mínimo. A saúde e a educação talvez nem cheguem ao mínimo, mas o mínimo é a meta a ser conquistada. Superar a fome, a sede, a miséria, sanear as cidades e implantar uma educação e saúde eficientes é possível mesmo dentro de um Estado capitalista. Portanto, por hora nem se discute a implantação de um Estado socialista, com a superação das injustiças estruturais. As próprias políticas do governo Lula, assim como o propósito de erradicação da miséria de Dilma, se dão dentro dos marcos da sociedade atual. Com o potencial de solos, água, sol, minerais e até mesmo tecnológico que temos, são metas que podem ser atingidas até dentro desse modelo. Claro, por outro lado sobra o Brasil máximo: a renda concentrada, o patrimônio, a propriedade, além da concentração do poder, do saber e demais mecanismos que garantem a estruturação classista brasileira. Talvez aqui resida o nó mais controverso entre as esquerdas nos últimos anos. Enquanto alguns setores desdenham essas conquistas mínimas, porque não mudam estruturalmente o Brasil, outros as defendem como se tivéssemos solucionado todos os problemas nacionais. Vivendo na região semiárida há trinta anos, sabemos o quanto essas conquistas do Brasil mínimo foram e são importantes para nosso povo. Afinal, é melhor viver num capitalismo comendo e bebendo que morrendo à míngua de fome e sede, como literalmente acontecia até pouco tempo atrás. Porém, contentar-se com o que está posto, é contentar-se com a sub cidadania. Chegará a hora, como acontece nas periferias francesas, que essas populações se rebelarão com o mínimo a que foram relegadas, enquanto outros desfrutam de todas as benesses da sociedade moderna. Ainda mais, com as mudanças nos paradigmas que estamos atravessando, ficará cada vez mais difícil pleitear o consumismo como parâmetro. De alguma forma, teremos que nos contentar com o que é fundamental, com um vida digna, descartando ter como meta a sociedade do luxo e do desperdício. * Assessor da Comissão Pastoral da Terra Publicado originalmente na edição 415 do Brasil de Fato. |
O outro mundo possível chama-se Ecossocialismo
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| Por Nova York, Estados Unidos – Joel Kovel, que teve um destacado papel em várias edições do Fórum Social Mundial (FSM), que nesta semana acontece em Dacar, afirma que o movimento deve ter por base uma prática e uma lógica anticapitalistas. Considerado o pai do movimento Ecossocialista, Joel analisa a história, trajetória e o futuro do movimento. Também é um dos autores do Manifesto Ecossocialista, que detalha um caminho alternativo ao atual de destruição ambiental. Joel disse à IPS que é preciso dar nome a este “outro mundo” e posicioná-lo firmemente contra a ameaça do capital global. IPS: Qual foi seu papel nas edições anteriores do FSM? JOEL KOVEL: Ecossocialismo é um conceito inerentemente global, não internacional, por isso o FSM é um lugar ideal para discutir suas principais ideias. Apresentamos o manifesto em Nairóbi em 2007, e o revisamos com um grupo de centenas de pessoas. O Ecossocialismo cresce magnificamente no terceiro mundo, mas é o quarto mundo, dos indígenas e dos povos sem Estado, o que realmente está à frente neste assunto. As pessoas do quarto mundo vivem em relações comunitárias e são vítimas diretas das corporações mineradoras e petroleiras predadoras que se enfiam no coração da terra e destroem as comunidades que são parte do solo. Por isso, dependemos do espaço único do FSM para difundir as ideias do Ecossocialismo. IPS: O que se discute no FSM sobre a crise ecológica é suficiente? JK: O FSM tende a se concentrar em áreas específicas dentro do assunto mais amplo do ecocídio, ou ecodestruição, como as sementes geneticamente modificadas ou a acidificação dos oceanos e o desmatamento. É preciso atender esses assuntos, mas não é suficiente para lidar com a magnitude da crise, que exige um diagnóstico muito mais amplo do que apenas das causas subjacentes do problema. Há pouquíssimo rigor teórico ou agudo sobre a crise ecológica em geral no FSM por muitas razões. As pessoas estão tão aterradas, há tantas causas válidas para se lutar, os problemas são difusos, com diferentes assuntos arraigados em localidades dispersas e ninguém pode decidir quais são os limites entre uma crise e outra. São tantas interrogações, como a de quando a crise dos oceanos passou para a atmosfera. É compreensível que as pessoas se mostrem reticentes em questões simples como a proliferação das garrafas de plástico. IPS: O que o FSM pode dar de novo para avançar rumo a uma solução? JK: Atualmente existe um problema de definição no FSM. Surgem diferentes questões que são transtornos ecossistêmicos, como a dúvida de quando se destroi a floresta pela monocultura, por exemplo. Cada crise ecossistêmica tem sua própria realidade concreta e localização específica, como o desastre de Bhopal, na Índia. A verdadeira crise ecológica é o conjunto de todas elas, que se agravam com rapidez, se propagam pelo mundo e aumentam de forma exponencial. Se quisermos encontrar a causa das diferentes crises sistêmicas, devemos olhar todas elas em conjunto e encontrar o que têm em comum. Cada problema tem sua própria causa, mas, virtualmente cada uma está vinculada à expansão capitalista e pode-se seguir seu rastro até a porta de um banco ou uma potência imperial. Se o FSM pretende atender o problema, deve identificar e articular a questão do capital global, que pode ser pensada de forma metafórica como um câncer que apresenta metástase. Sem importar a forma escolhida para tratar a doença, deve-se reconhecer que é uma realidade. IPS: Em que o FSM mudou desde sua primeira participação em 2003? JK: Infelizmente, o FSM tem tendência a girar em falso devido aos limites inerentes ao seu lema de “outro mundo é possível”, que é repetido até cansar e acaba sendo desanimador porque nunca chega a ser realmente desenhado. Porém, fato é que o FSM é o único lugar no qual se pode articular uma nova realidade, não apenas pensar na possibilidade de uma. Logicamente, deveríamos poder dizer que este “outro mundo” é o do Ecossocialismo. Entretanto, dada a natureza das organizações não governamentais e sua especialização em certas crises, o FSM não se refere o suficiente à causa da crise do capitalismo. O Fórum deve identificar o inimigo e lhe responder. IPS: Pensa que Dacar oferece uma oportunidade para consegui-lo? JK: Totalmente. A África é um dos lugares mais vulneráveis da Terra, o que é tremendamente irônico, pois é o menos industrializado do planeta. O continente é saqueado pela desapiedada extração de recursos como em nenhum outro lugar do mundo, em primeiro lugar porque é rico. E, em segundo, pela falta de proteção para deter a chegada das companhias. Há mais incentivos na África para começar a pensar de forma sistêmica. Dacar também é um centro mundial de pesquisa em ecologia, muito mais do que Nairóbi, e até mesmo do que Mumbai. O calibre geral dos intelectuais de esquerda presentes é extremamente alto no Senegal.. IPS: O que o FSM pode fazer para lidar com os desafios apresentados no Fórum Econômico Mundial que acontece quase simultaneamente? JK: É preciso basear-se firmemente em uma prática e uma lógica anticapitalistas. É difícil, mas certamente possível. Creio que acima de tudo o FSM é um lugar onde a grande variedade de tendências se encontra, conscientes de que seus diferentes problemas são sistemáticos e têm a ver com a penetração do império e do capital global em cada rincão da Terra. Para continuar com a analogia médica, se você tem um paciente com um tumor no pâncreas, só é possível tratá-lo se os médicos concordarem que se trata de câncer. Só a partir daí se pode reunir e pensar no remédio, e há muitíssimas formas de curar isto. Envolverde/IPS Fonte: Envolverde |
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Brasil Rural
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| O Brasil rural, com sua população de 29.852.986 (Censo 2010/IBGE) é o quinto país mais populoso da América Latina e Caribe. Fica atrás apenas do Brasil urbano com 160.879.708 de pessoas, do México com 107.431.225 (Banco Mundial), da Colômbia com 45.659.709 (Banco Mundial), da Argentina com 40.276.376 (Banco Mundial), e à frente do Peru que tem 29.164.883, ou Venezuela que tem 28.384.000 (Banco Mundial). O Brasil rural vem perdendo população tanto em termos relativos como absolutos. No Censo de 2000 a população urbana representava 81,25% (137.953.959 pessoas), contra 84,35% (160.879.708 pessoas) em 2010. Já a rural representava 18,75% (31.845.211 pessoas) em 2000, contra 15,65% (29.852.986 pessoas) em 2010. Portanto, depende da leitura que se tem dessa realidade para decidir quais políticas são mais convenientes para o Brasil. Os que pressionam para uma urbanização a qualquer custo, sentem-se seguros para afirmar que a distancia populacional entre o Brasil urbano e o Brasil rural só tende a aumentar. Portanto, as políticas podem e devem ser orientadas para atender a grande massa que está nas cidades. Nesse sentido, também não cabe - como dizem que não cabe do ponto de vista produtivo - qualquer reforma agrária. Afinal, o povo prefere as cidades, mesmo que elas sejam um inferno. Mas essa realidade pode ser lida de outra forma, afinal, com uma população que é o quinto país da América Latina e Caribe, mesmo que percentualmente seja menor em relação à população urbana, o campo abriga quase 30 milhões de brasileiros. Nem vamos falar no tal Brasil “rurbano”, conceito para o qual os especialistas torcem o nariz, mas que ajuda a entender um bairro periférico como o João Paulo II aqui em Juazeiro, onde 30 mil pessoas se aglomeram para trabalhar como mão de obra barata nos projetos de irrigação da cana, manga e uva. O trabalho dessa população é rural, as condições de vida são insalubres, mas é contabilizada como população urbana. O campo continua um desafio brasileiro. Vem dali a comida que abastece as cidades. O que seria delas sem os cultivadores de hortaliças que estão no espaço urbano? De onde viriam nossos alimentos se não tivéssemos a agricultura familiar? O Brasil rural que emerge das estatísticas merece uma consideração mais abrangente que a leitura seca de números que mais ocultam que revelam nossa realidade. * Membro da Comissão Pastoral da Terra |
Experiência do P1MC na Bahia ganha Prêmio ANU
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| Em cerimônia realizada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro no dia 07 de fevereiro, o Movimento de Organização Comunitária (MOC) junto com o Afro Reggae foi o grande vencedor do Prêmio ANU 2010. O MOC concorreu com a experiência do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) desenvolvido na comunidade de Cajazeiras, no município de Conceição do Coité. Após vencer a etapa estadual, a experiência do P1MC passou para a fase final onde concorreu com mais 25 experiências de todo o país. Os grandes vencedores do Prêmio ANU 2010 foram escolhidos por meio de votação popular através do site do Prêmio. Integrante do Programa Água e Segurança Alimentar do MOC, Kamilla Ferreira representou a entidade e recebeu das mãos do cantor Dudu Nobre o prêmio mais esperado da noite, o ANU Preto. “Parabéns a todas as instituições que concorreram e fizeram essa noite entrar para a história social do Brasil”, disse Kamilla. O MOC agradece a todos e todas que votaram na experiência do P1MC. Esta vitória é de todas as organizações que integram a Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA Brasil). O vídeo da experiência na comunidade de Cajazeiras está disponível no Youtube pelo link http://www.youtube.com/watch?v=h1z1zUEOUH0 Sobre o P1MC - O Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semi-Árido: Um Milhão de Cisternas Rurais – P1MC foi iniciado pela Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA Brasil) no ano de 2003. Desde então, o Programa vem desencadeando um movimento de articulação e de convivência sustentável com o ecossistema do Semi-Árido, através do fortalecimento da sociedade civil, da mobilização, envolvimento e capacitação das famílias, com uma proposta de educação processual. O objetivo do P1MC é beneficiar cerca de 5 milhões de pessoas em toda região semi-árida, com água potável para beber e cozinhar, através das cisternas de placas. | |||||
Sugestão de Leitura
| Aqui você encontra documentos, cartas, relatórios e pesquisas sobre temas trabalhados pela ASA, divididos por área. |
Depoimentos
"A cisterna me livrou de buscar água na cabeça. Tenho água toda horinha que eu quiser pra beber e cozinhar. Olha que beleza! Não é? Bom demais! A água é de grande serventia". (Maria Lúcia de Freitas Souza, Comunidade Serra da Batinga - Piauí)
"Para mim foi a coisa melhor do mundo. Eu pegava água longe a cinco quilômetros de bicicleta. Eram 2 baldes de 20 litros por dia, Fazia duas viagens e em cada uma gastava duas horas, subindo e descendo uma grande ladeira. Essa água era para beber, cozinhar e tomar banho. Com a cisterna que estamos construindo vai melhorar muito. Estou muito feliz e espero que venham outras melhorias". (Sheila, comunidade Volta da Jurema -Maranhão)
"A gente descobriu que tinha esse projeto de um milhão de cisternas e conseguimos nos organizar com o sindicato dos agricultores rurais daqui de Afogados. Participamos das reuniões, dos treinamentos sobre a cisterna e como que a gente utiliza água em casa. Porque não é só ter a cisterna, a gente tem que saber tratar da água. Eu cuido da minha cisterna usando hipoclorito de sódio. Sou agente de saúde e dou assistência a cinco comunidades aqui na região. O que a gente vê por aqui é que as verminoses dão na água não-tratada. Porque no sertão a água que a gente bebe é de açude, que é uma fonte de risco muito grande para a população (....) A cisterna mudou muito a vida da gente e vai mudar a vida de outras pessoas também." (Maria do Socorro Almeida Jacinto, comunidade de Barreiros - Pernambuco)
"Era muito difícil aqui. No período da estiagem a gente passou muitas dificuldades pra lavar roupa, tomar banho e até mesmo pra beber. E, agora, com a cisterna, facilitou tudo. Antes, a gente procurava os riachos, uma água de péssima qualidade. Por causa dessa água, não só os filhos meus, mas na comunidade, as crianças adoeciam desse negócio de diarréia, vermes, essas coisas aí. Antes da cisterna, quem ia buscar água era eu e meu marido. Inclusive, ele tem um problema de saúde por conta disso, né? Ele tem hérnia de disco, por causa desses tambores pesados. Agora, a gente não precisa mais ir buscar água. O tempo que sobra tem agora o roçado, os bichos e os trabalhos de casa. As crianças que ajudavam também a pegar água, ficam mais livres pra escola. (...) A gente economiza e continua economizando porque a água é tudo. Sem comida a gente pode até passar, mas sem água não". (Antônia Guilhermina Dias da Silva, Manguape - Paraíba)
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Experiencia do P1MC já pode ser votada na fase final do Prêmio ANU
O trabalho do Programa 1 Milhão de Cisternas na Bahia foi o vencedor da etapa estadual do Prêmio Anu. Junto com outras 26 iniciativas a experiência passa para a fase final, onde através da votação aberta ao público a partir do dia 07 de janeiro de 2011 pelo site do prêmio, será escolhido um único vencedor.
A comunidade rural de Cajazeiras em Conceição do Coité é a experiência representada pelo P1MC. Nesta comunidade diversas famílias foram contempladas pelas cisternas por intermédio da Articulação do Semiárido Baiano (ASA) e do Movimento de Organização Comunitária (MOC).
Entre estas famílias que tiveram a vida transformada após receber a cisterna, está a família de Dona Florzinha. Nascida e criada na comunidade de Cajazeiras ela relata momentos antes e após o recebimento da cisterna. Segundo ela a cisterna traz consigo a esperança da água de qualidade para beber, cozinhar, lavar, e também fortalece a mobilização política das famílias.
As pessoas passaram a perceber a importância da organização comunitária e iniciaram o processo de luta para alcançar outros projetos que contribuem para a sustentabilidade local. “É conquistando um sonho e começando a sonhar outro, porque assim todos nós ganhamos e melhoramos de vida”, afirma Dona Florzinha.
O vídeo que apresenta a comunidade de Cajazeiras e conta a vida de Dona Florzinha e o trabalho do P1MC pode ser visto através do youtube pelo link: http://www.youtube.com/watch?v=h1z1zUEOUH0
e a votação para escolha do vencedor do prêmio poderá ser feita pelo site http://www.premioanu.com.br/ a partir do dia 07 de janeiro.
Mais informações:
Lorena Amorim. Tel. (75) 3322.4428 / 9955.1123
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